BibliotecaEventosNotícias da AgeFlorNotícias do Mercado
26/05/2021
Por AGEFLOR
Compartilhar esta notícia
Pandemia continua sendo um desafio, afirma Clovis Tramontina
Por Cristiano Vieira, editor de Economia do Jornal do Comércio
 
Jornal do Comércio – Quais caminhos para retomada econômica do Brasil e do RS neste ano?
Clovis Tramontina – Como representante de uma empresa centenária que, junto com o Brasil, já passou por inúmeras crises, um caminho posso afirmar: a continuidade de investimentos. É assim que, passada a maior dificuldade, a retomada acontece. Temos muito mercado, seja em cenário nacional quanto no Rio Grande do Sul. O país tem uma marca forte que é o agronegócio, fundamental para a economia e que atinge uma produtividade acima da média mundial. No caso da indústria de manufatura, a maioria das empresas, como é o caso da Tramontina, são bem competitivas internamente, mas quando é “para fora”, precisa enfrentar os custos como logística, impostos e outras situações que prejudicam o resultado. Precisamos aprimorar isso para melhorar a competitividade brasileira.
JC – O que a indústria precisa para crescer em termos gerais?
Tramontina – A indústria precisa de apoio do Estado, que precisa ajudar investindo na simplificação da carga tributária – fator importante para as empresas crescerem. A Reforma Trabalhista foi fundamental para a melhora da relação do trabalho. Vale lembrar que a repercussão do apoio entre indústria e país não é apenas econômica. Os reflexos são também sociais, ao gerar ocupações profissionais e que dinamizam o ecossistema de inovação em cenário nacional. E então, tocamos em outro ponto importante que é a inovação. A indústria precisa inovar em produtos, processos e sistema de vendas para crescer. A Tramontina está sempre atualizada em relação à tecnologia para assegurar a constante melhoria dos processos e atender à dinâmica de um mercado sempre em transformação.
JC – Quais os desafios para gerir uma empresa do tamanho da Tramontina nesse período da pandemia?
Tramontina – A pandemia foi e está sendo desafiadora para todos nós. No início do ano passado, quando tudo começou, nós imediatamente criamos um comitê de gestão de crise para estabelecer regras claras e definir protocolos corretos para todos os procedimentos. O objetivo também era oferecer tranquilidade para todo o grupo empresarial. Tivemos e ainda priorizamos o cuidado enorme com a saúde e bem estar das pessoas, nosso foco desde sempre. Em termos de produção, graças ao nosso constante investimento em inovação, automação, controle e tecnologia aplicadas aos processos de manufatura – princípios da indústria 4.0, conseguimos dar continuidade ao negócio neste período que exige tanto da nossa capacidade produtiva e logística. Não demitimos nenhum funcionário, ao contrário, durante a pandemia a Tramontina admitiu mais de 1500 pessoas. Temos uma empresa sólida, em constante movimento que gera valor para todos.
JC – Quanto a Tramontina investiu no ano passado e quanto pretende investir neste ano?
 
Tramontina - Como mencionei, o investimento em inovação, tecnologia e pessoas é constante. Mas, principalmente, desde o início da pandemia, nossos investimentos estão bastante focados na saúde e bem-estar das pessoas, nosso bem maior. Desde março do ano passado, a empresa já doou mais de R$ 6 milhões entre verba direta e produtos da marca para hospitais e instituições do RS, cestas básicas aos municípios da Serra e região e, de forma especial, com a doação de mais de 50 unidades do Ventra – equipamento de suporte respiratório desenvolvido pela própria empresa. O produto, que sai pronto da fábrica da Tramontina em Carlos Barbosa, foi homologado pela Anvisa como alternativa para auxiliar em situações de emergência, diante da alta demanda na rede hospitalar e distribuído para hospitais de mais de 20 municípios do estado desde dezembro.
JC – A empresa está finalizando uma nova fábrica em Pernambuco para produção de porcelanas. Qual a previsão de inauguração e o foco deste novo investimento?
Tramontina – A previsão é iniciarmos ainda neste ano. Porém, a pandemia vem atrasando a abertura da nova operação por problemas restritivos, como impossibilidade de receber técnicos da Itália e Alemanha, além do atraso para concluir a instalação dos equipamentos e máquinas, essenciais para iniciarmos as operações que estavam previstas a partir de maio. A nova unidade no município de Moreno, em Pernambuco, será focada no segmento Hospitality (B2B – Hotéis, Bares, Restaurantes) e também Home (B2C), linha de porcelanas que atendem ao consumidor final. A estimativa é estar operando plenamente a partir de 2022.
JC – Qual a perspectiva de crescimento para a Tramontina neste ano? O mercado de consumo segue aquecido?
Tramontina – Sim, o mercado segue aquecido. A Tramontina foi beneficiada pelo fato das pessoas ficarem mais tempo em casa e precisarem e/ou desejarem renovar os itens. Nosso mix de 18 mil itens, entre utensílios e equipamentos para cozinha, móveis, ferramentas e materiais elétricos, atende o público com soluções que inspiram o dia a dia e estimulam experiências no lar, onde passamos mais tempo nesse último ano. Hoje, nossa meta para 2021 é atingir R$ 9,4 bilhões de faturamento, 20% a mais do que no ano passado.
JC – O senhor acredita na vacina como a maior chance que temos para retomar à normalidade, tanto na economia quanto na rotina?
Tramontina – Sim, acredito muito na vacina. O foco principal é buscar a saúde das pessoas. E saúde em massa se faz pela vacinação – nosso combate direto ao vírus. Em relação aos outros tratamentos, depende do conhecimento e experiência da área médica.
 
JC – O senhor defende a competitividade como fator essencial no mundo dos negócios. No caso do RS e do Brasil, o que precisamos para ser mais competitivos?
Tramontina – Precisamos melhorar a matriz tributária, principalmente, simplificando os impostos e dando mais clareza à legislação. A judicialização que existe no Brasil cria muita insegurança para as empresas, gerando aumento de custos e perda de competitividade que, sim, é essencial para o mundo dos negócios.
JC – No final do ano passado tivemos fábricas reclamando de alta nos insumos, como aço, e falta de matérias-primas, como vidro, papel. Em 2021 parece que o problema continua em muitos setores. Como está para a Tramontina?
Tramontina – A Tramontina sentiu em diversos setores e algumas linhas de produtos sofreram muito com a falta de fornecimento de matéria prima e insumos. Mas, como trabalhamos com estoque de segurança, a Tramontina passou relativamente bem neste quesito.
JC – A empresa tem crescimento ano após ano e se aproxima dos R$ 10 bilhões de faturamento. Essa meta será atingida neste ano ou em 2022?
Tramontina – Como otimista que sou, espero que a Tramontina cresça este ano. Seria um marco a empresa faturar R$ 10 bilhões no ano em que completa 110 anos, em 2021. O melhor está por vir!
JC – O senhor comentou, na nossa última entrevista, em dezembro passado, dos planos de deixar o comando e se dedicar ao conselho de administração em 2022. Estes planos se mantêm por ora? E os planos para o curso de qualificação de líderes, como estão?
Tramontina – Sem dúvida, as pessoas passam e as empresas se perpetuam. Por isso, temos que ter sensibilidade e saber o momento de deixar o comando. Já está previsto o processo sucessório para o ano que vem. No que se refere à formação de líderes, este é um projeto que levarei adiante a partir de agora. Outro aspecto é a educação, principalmente, a educação básica, que deve ser disseminada de forma gratuita e de qualidade para todas as crianças e jovens do Brasil.
Fonte: Jornal do Comércio – Caderno Dia da Indústria
 
Voltar