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26/05/2021
Por AGEFLOR
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CPMC registra recordes na unidade de Guaíba

Por Jefferson Klein em Jornal do Comércio:

Jornal do Comércio (JC) – Quais os caminhos para a retomada econômica do Brasil e do Rio Grande Sul neste ano?
Mauricio Harger – Não existe uma fórmula mágica para passarmos por este momento, mas há algumas saídas possíveis. De maneira geral, é necessária a sinergia entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil. A pandemia traz ainda como aprendizado a urgência de pensarmos em uma nova economia de baixo carbono, respeito ao meio ambiente e de parcerias em todo o Rio Grande do Sul. O manejo sustentável das indústrias impacta positivamente as pessoas, a biodiversidade e nossos recursos hídricos – gerando valor ao consumidor final, com produtos vindos de matéria-prima biodegradável, além de gerar uma cadeia renovável que leva desenvolvimento a áreas distantes dos grandes centros urbanos.
JC – O que a indústria precisa para crescer neste ano?
Harger – O último ano foi complicado para diversos segmentos, inclusive para alguns setores da indústria brasileira. Essa experiência trouxe dois aprendizados que são fundamentais para a sobrevivência dos negócios. O primeiro é de que a competitividade é o alicerce de qualquer empresa. É necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre preço, qualidade, volume de vendas e custo operacional. O segundo ponto é entender o atual comportamento do consumidor, que possui um alto grau de exigência em relação ao propósito das empresas com as quais ele se relaciona.
JC- Quais os desafios neste período de pandemia?
Harger - Durante esse período, tivemos de enfrentar um desafio quádruplo: produzir matéria-prima para fabricação de produtos essenciais, preservar a saúde e a segurança de nossos colaboradores e prestadores de serviços, assegurar o emprego e a renda de mais de 6,6 mil profissionais e atuar de forma solidária nos mais de 70 municípios do Rio Grande do Sul em que mantemos atividades industriais, florestais ou portuárias. Esses objetivos balizaram cada decisão tomada pela CMPC nos últimos meses, o que nos orgulha muito, pois demonstra todo o comprometimento que temos com nossas pessoas, com o mercado e com o cenário atual.
JC – Quanto a CMPC investiu ano passado e pretende investir neste ano no Rio Grande do Sul e Brasil?
Harger – Em relação ao montante investido em 2020, a CMPC não divulga números de investimentos por país antes da divulgação do relatório integrado, documento que ainda não foi publicado pelo grupo. Para 2021, os valores ainda não estão fechados e serão comunicados em momento oportuno, respeitando o fato da companhia ser uma empresa de capital aberto na bolsa chilena.
JC – Como tem sido o desempenho operacional da planta da CMPC de Guaíba?
Harger – A CMPC tem alcançado índices fantásticos de produção. Superamos a marca de 2 milhões de toneladas de celulose e papel produzidas em 12 meses, entre maio de 2020 e abril de 2021. Essa meta foi estipulada no ano passado e atingida a partir de sucessivos recordes mensais, que ocorreram em oito dos 12 meses do período. Esse retrospecto confirma o melhor desempenho da unidade de Guaíba desde o início das suas operações, em 1972. O que parecia ser uma meta arrojada concretizou-se com as mesmas equipes e os mesmos equipamentos.
JC- Qual sua avaliação sobre o cenário atual do mercado nacional e internacional de celulose? Quais as perspectivas futuras para esses mercados?
Harger – O mercado de celulose tem visto os preços internacionais da commodity subirem desde o final de 2020. Trata-se de uma retomada das economias em nível global, que buscam a reposição de estoques que se reduziram comparado ao período anterior. No mercado brasileiro, como a cotação da celulose é indexada aos preços praticados na Europa, os mesmos vêm subindo de forma gradual e é possível que tenhamos novos aumentos nos próximos meses. O retorno das atividades na sociedade – em virtude do avanço da vacinação – tem sido apontado como um fator que pode manter a demanda por fibras elevada e absorvendo novos volumes.
JC – Recentemente, a CMPC arrematou em leilão um terminal no porto de Pelotas que a empresa já operava para a movimentação de toras de madeira. Qual o objetivo dessa iniciativa e o investimento futuro para esse complexo?
Harger – Estar presente com uma operação portuária em Pelotas é algo altamente estratégico para a CMPC. Temos grande parte dos nossos hortos florestais localizados na região Sul do Estado, de modo que o uso da hidrovia nos possibilita uma logística limpa, algo que dialoga de perto com nosso propósito de conservar os recursos naturais. É extremamente gratificante saber que vamos seguir investindo em um município que é um polo econômico, cultural, universitário e, também, portuário. O valor a ser destinado pela empresa em melhorias de infraestrutura durante o período (o prazo de concessão da estrutura é de 15 anos) soma a quantia de R$ 16 milhões.
JC – Como está a dragagem nas proximidades da unidade de Guaíba? Qual o cronograma e o investimento nessa ação?
Harger – As obras de dragagem são extremamente importantes para mantermos a segurança nas nossas operações hidroviárias. Para essa grande melhoria, estimamos um investimento na ordem de R$ 25,9 milhões. Está prevista para iniciar ainda este ano, com projeção de conclusão em 2022.
JC – Como está a base florestal da CMPC atualmente no Rio Grande do Sul e quais os planos de expansão?
Harger – Hoje, a CMPC possui operação em 73 municípios gaúchos. Contamos com 467 mil hectares distribuídos em 1.015 hortos florestais, sendo que 192 mil hectares são exclusivos de área preservada. Para este ano, está previsto o lançamento de nosso Programa de Fomento, que irá beneficiar produtores rurais e a biodiversidade do Rio Grande do Sul. O objetivo é estimular pequenos, médios e grandes produtores rurais para que possam se inserir na silvicultura, com acesso a tecnologias que garantem o uso inteligente dos recursos naturais e oportunidade segura de incremento de renda. Será o primeiro negócio inclusivo da bioeconomia do Brasil, levando aos produtores todo o apoio necessário para uma boa produção e alta rentabilidade no negócio, além de ampliar a matriz econômica do Estado em regiões que hoje precisam urgentemente de soluções para um novo ciclo de desenvolvimento.
JC – São recorrentes as projeções de mercado que em algum momento a unidade de Guaíba terá sua capacidade ampliada. O que é possível dizer, no momento, sobre essa possível expansão?
Harger – A CMPC está sempre avaliando sua performance operacional, o que inclui aspectos relacionados à capacidade produtiva. Seguimos atentos às oportunidades de tudo que envolve a operação, sempre buscando qualificar a performance. Em 2021, estamos concentrados em estudos que resultem em melhorias ambientais e operacionais por meio da modernização de nossos processos produtivos. Nossa meta mais ambiciosa é, para os próximos anos, tornar a unidade de Guaíba a planta de celulose e papel mais sustentável do mundo.
 
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