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20/05/2021
Por AGEFLOR
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Artigo: Evolução da mecanização florestal em áreas plantadas

Por Manoel Francisco Moreira no portal Madeira Total

Trataremos neste capítulo sobre a evolução da mecanização em florestas plantadas. O enfoque em exploração de florestas nativas não pertence ao nosso escopo, embora o trabalho com nativas tenha “importado” muito conhecimento e equipamentos do trabalho com plantadas. A mecanização da colheita florestal pode ser considerada uma atividade de evolução bastante recente, especialmente em nosso País. A menos de quatro décadas, o corte de madeira era feito com o uso de machado e a retirada do talhão em lombo de animais (burros, cavalos e bois); o carregamento de madeira manualmente. Ferramentas como “besouro” e “bimbarra” eram bastante conhecidas como auxiliares fundamentais do carregamento de caminhões. Toras de pinheiro e outras nativas com diâmetro maior que 1m e comprimento variado, nunca menor do que 1,20m, eram carregadas nos caminhões com o auxílio de tais ferramentas, exigindo grande esforço dos seus manuseadores. A derrubada se fazia com a famosa “serra americana”, operada por 2 homens. Uma revolução foi causada pela serra de arco Sandvik, que permitia ser operada apenas por um homem, porém se limitava especialmente a madeiras reflorestadas.

Foi o advento dos incentivos fiscais, do Governo Militar, em 1966, que as florestas plantadas tiveram seu desenvolvimento nacional. Antes, o plantio de árvores era limitado a “meia dúzia” de papeleiras que o faziam, ainda que sob certa desconfiança de muitos, pois havia abundância de madeira que “nunca” acabaria. Assim que esses plantios amadureceram, iniciou-se a demanda por recursos de colheita. Nessa época havia relativa abundância de mão de obra para ambas as atividades: silvicultura e colheita (entenda-se como colheita o corte, baldeio, carregamento e transporte da madeira).

Enquanto durou essa abundância, a mecanização encontrou dificuldades de vingar, pois os altos custos das máquinas e a falta de mão de obra especializada, contribuía para a sua estagnação. Inúmeras tentativas foram feitas no País, porém fracassaram por vários motivos entre os quais destacamos: o descaso ou desconhecimento do governo sobre o assunto, não incentivando seu crescimento; a falta de conhecimento técnico advinda das pouquíssimas ou quase nenhuma escolas de ensino técnico florestal; faculdades formando engenheiros florestais silvicultores essencialmente e tendo apenas rudimentos de mecanização; sistema tributário penalizante à importação de tecnologia (lembro que na década de 90, um fabricante importante de caminhões foi proibido de importar o recém lançado componente eletrônico computadorizado para ser colocado no motor, deixando-nos atrás da moderna tecnologia). Foi na era Collor que principiou a abertura do Brasil à novas tecnologias que permitiram, ainda que vagarosamente, o desenvolvimento da mecanização florestal. Os empresários madeireiros até hoje ainda desconfiam da mecanização, porém têm sido obrigados a usá-la pressionados pela moderna legislação trabalhista e ambiental.

Já a área de silvicultura não teve sua evolução na mesma velocidade que a colheita, e só recentemente máquinas mais modernas vêm substituindo o homem nas tarefas mais pesadas ou perigosas.

MOTOSSERRA A GRANDE REVOLUÇÃO

A motosserra foi introduzida no Brasil na década de 60, porém sua difusão efetiva só se deu na década de 80. Embora representasse uma evolução significativa em termos de produtividade de derrubada e traçamento de árvores, devido ao seu custo inicial, complexidade de operação e pouca disponibilidade de instrutores verdadeiros, demorou bastante tempo até que se tornasse uma ferramenta efetiva no corte de árvores. Sua evolução chegou a tanto que, burocratas conservacionistas consideraram-na responsável pelo desmatamento da Amazônia e outros maciços, e conseguiram aprovar lei que obriga, até hoje, seu registro no Ibama. O resultado dessa “inteligente” medida é que a Amazônia e outros biomas continuam sendo devastados da mesma maneira. Culpar a ferramenta por seu mau uso é uma asneira sem par. Hoje a motosserra tem seu uso bastante limitado, tendo sido substituída por máquinas de colheita (harvesters, fellerbunchers), não sem antes ter sido causa de inúmeros acidentes de trabalho, alguns fatais.

MECANIZAÇÃO DA COLHEITA PASSO A PASSO

Serra Americana

Esta ferramenta foi durante muitos anos a principal na derrubada e traçamento de grandes árvores nativas. Acredito que ainda hoje seja usada na região amazônica.

A serra possuía dois alvados (cabos) permitindo que fosse manuseada por dois homens. Seu comprimento é de aproximadamente 2 m e um sistema de dentes de corte muito eficiente, exigindo habilidade em sua afiação e travamento. É relativamente leve, podendo ser transportada por um homem.

Serra Sandvik

Iniciamos com a serra Sandvik, porém é necessário um esclarecimento: chamar a serra de Sandvik é o mesmo que chamar lâmina de barbear de “Gillete”. Tecnicamente seria serra de arco, porém não seria tão identificável como Sandvik. Ela constava de um arco de metal que prendia na parte inferior uma lâmina de serra substituível com dentes do tipo trava e possuía um excelente poder de corte, o que conferia velocidade à operação, além da leveza da ferramenta. Foi realmente uma revolução em termos de serra, pois, principalmente nas áreas de reflorestamento, foi uma adaptação imediata. Um homem conseguia cortar até 10st/dia.

Trator com barra e corrente

Até então, o lombo de animais era o método usado para retirar a madeira cortada do talhão. O mais comum era colocar duas espécies de cangalhas feitas de madeira, em forma de V, no lombo do animal (burro ou boi) de maneira a equilibrar o peso nos dois lados carregando a madeira cortada nos dois lados da montaria. Outro método era fazer o cavalo arrastar o tronco, já desgalhado, para posterior traçamento na beira da estrada. Diga-se de passagem, que esses métodos de baldeio, recebiam madeira cortada por motosserra, na maioria das vezes.

Foi então que alguém “inventou” o trator com barra e corrente. Tomou um Massey-Ferguson 65 e prendeu uma barra de ferro (normalmente um pedaço de trilho de trem) com ranhuras a mais ou menos 10cm uma da outra e prendeu-a transversalmente nos braços inferiores do engate de 3 pontos do trator; em seguida, na ponta de várias correntes de aço, prendeu argolas. Da estrada o trator partia com mais ou menos 6 correntes engastadas na ranhura; ao chegar ao trecho no ramal, um operário pegava as correntes, engatava, uma a uma nos fustes desgalhados previamente, fazendo a corrente passar por dentro da argola e engastando novamente a corrente na ranhura da barra. O tratorista levantava o hidráulico de 3 pontos elevando assim as “cabeças” dos fustes e os arrastava até a beira da estrada, onde um operário retirava as correntes e outros traçavam e empilhavam a madeira.

Este sistema durou alguns anos e representou bom aumento de produção e a dispensa de animais no serviço, o que era bastante trabalhoso e judiava muito dos mesmos.

Trator com pinça e carregador frontal

Este modelo “revolucionário” e que, ainda hoje, encontramos em alguns cantos do Brasil, foi inventado fora do País, acredita-se que nos Estados Unidos ou Canadá. Aqui foi desenvolvido pela Rigesa em Canoinhas, SC, que montou a primeira unidade em sua oficina mecânica, usando um trator MF-65, em 1980. O problema maior era a pinça, pendurada no engate de três pontos do trator, para poder subir e descer; na frente um carregador frontal com garfo de 2 dentes fazia o empilhamento dos fustes.

Confirmados os testes, a empresa Implemater, de Curitiba, em 1983 desenvolveu a fabricação industrial dos implementos pinça e carregador frontal, cujo equipamento foi um case de sucesso.

A operação era “simples”: as árvores eram derrubadas no mesmo sentido, o mais alinhadas possível. O trator se aproximava das mesmas de ré, juntava-as num feixe de 3 a 6 fustes, de acordo com os diâmetros, arrastando-as até a beira da estrada onde 2 ou mais motosseristas faziam o traçamento, após o trator tê-las empilhado.

Como se pode ver, ao compararmos este sistema com o de barra e corrente, já há uma significativa redução de mão de obra.

O advento do trator 4 x 4 foi o apogeu do sistema, pois a indústria nacional só fabricava 4 x 2. Algumas empresas tentavam a adaptação da tração dianteira, mas os resultados não eram bons: o cardan dianteiro ficava muito desalinhado e era fonte constante de quebras. Rapidamente todos os fabricantes passaram disponibilizar tratores traçados e hoje já é difícil encontrar tratores 4 x 2 no mercado.

Forwarder

O precursor dessa máquina é o auto-carregável, máquina ainda hoje bastante popular no Brasil, principalmente entre os pequenos prestadores de serviço. É um equipamento bastante “barato” se comparado ao forwarder, porém tem limitações quanto ao seu emprego em alguns tipos de terreno, bem como produtividade efetivamente menor.

O forwarder, revolucionária máquina de baldeio, por incrível que pareça, entrou no Brasil muito antes da pinça. As primeiras 4 unidades aportaram o Rio Grande do Sul na década de 70 para trabalhar para a recém instalada fábrica de celulose, em Guaíba, da Borregaard Aktielskapet.

Eram 4 forwarders Valmet 6 X 4 e 80 HP importados da Suécia. Sua destinação, obviamente, era o baldeio de eucalipto derrubado com motosserra e empilhado à beira do ramal. Grande era o esforço para que a descarga fosse feita diretamente nos caminhões para se evitar dar mais um tombo na madeira.

A inauguração da gigante Aracruz, trouxe a necessidade de mais máquinas e a empresa passou a enfrentar, à época, as restrições à importação existentes. A direção da indústria, da época (leia-se Dr. Leopoldo Garcia Brandão), convidou a Engesa – Engenheiros Especializados S/A para desenvolver um forwarder nacional. Com uma encomenda inicial de 50 unidades. A Engesa topou o desafio, nascendo aí o primeiro forwarder brasileiro o EE-510 4 x 4. Na configuração 4 x 4 residiu um dos maiores erros da Engesa, cuja duração como fabricante de tratores foi bastante efêmera.

Logo em seguida do início da Engesa, 1978, a Randon também se lançou no mercado de forwarder com seu modelo, bastante moderno para a época, inclusive equipado com uma grua importada, enquanto o Engesa usava grua Munck 2050.

Infelizmente, nenhuma das empresas foi adiante, quer por problemas técnicos, quer por problemas de marketing, mas principalmente pela falta de incentivos governamentais ao desenvolvimento da indústria florestal nacional. Não se tratava de dar dinheiro, mas permitir a importação a taxas mais razoáveis de componentes ainda não fabricados nacionalmente.

Houve, então um hiato para os forwarders. A Implemater ao associar-se com a Valmet, passou então a produzir no Brasil o novo forwarder “brasileiro”, com alguns componentes nacionais, como os chassis, grua Valmet e demais componentes Suecos e Finlandeses. Novamente os custos de importação dos componentes inviabilizou o projeto.

A abertura do mercado, a despeito da incidência de altos impostos, tornou possível hoje a importação dessas máquinas, podendo se encontrar unidades de várias marcas no serviço. Na verdade, o consumidor paga alto custo por conta das taxas incidentes na importação, no frete e nos custos portuários, tudo porque até hoje não tivemos uma política (semelhante à que houve com os automóveis) de incentivo à indústria de máquinas florestais nacionais.

Skidder

Os primeiros skidders entraram no Brasil viaCarterpillar, que os fabricava nos Estados Unidos. Eram dotados de guinchos extremamente potentes e efetivos, sendo usados prioritariamente no arraste e empilhamento de toras nativas.

Sabemos que o skidder é uma máquina que se pode chamar de “faz tudo” da mecanização florestal pelas suas 1001 utilidades e assim era na década de 70, quando os skidders eram utilizados na abertura de estradas, arraste de caminhões, empilhamento de toras etc. Todavia não eram usados na extração de madeira plantada, por motivos óbvios.

Em 1981 a Klabin, sentindo a necessidade de ampliar sua frota de tratores com pinça ou substituí-los por uma máquina com maior produtividade, enviou um de seus engenheiros florestais a feira canadense DEMO, ocorrida nas imediações de Vancouver, British Columbia. Dessa visita resultou a aquisição de 11 unidades da “desconhecida” marca Timberjack (hoje absorvida por um fabricante de máquinas agrícolas) e que constava de um skidder equipado com guincho, opcionalmente, e uma super pinça traseira, capaz de carregar, no mínimo, o dobro do que o faziam as pinças montadas em trator agrícola. Outro fator importantíssimo era a configuração do trator, imune à galhada típica do talhão, a tração 4 x 4 originais, com pneus florestais do mesmo tamanho. A lâmina frontal era equipamento standard.

Foi um sucesso absoluto. A partir daí os skidders evoluíram ainda mais; hoje são equipados com cabines fechadas, com ar condicionado, além de serem OPS, FOPS E ROPS, diferente dos antigos cujas cabines eram abertas.

O skidder, em minha opinião, continua sendo o “multiusoflorestal”, pois já são usados em silvicultura, tanto em aplicação de herbicidas e defensivos, como na tração de sulcadores/adubadores, bem como em super plantadeiras.

Já é possível encontrar modelos gigantescos com tração 6 x 6, trabalhando no País.

O skidder é uma das máquinas do sistema full-tree, ou “árvores inteiras”, cujo sistema descrevemos em outro tópico.

Harvester

Essa é, na minha opinião, a mais revolucionária máquina florestal inventada e introduzida no Brasil. No começo ela foi alvo de muitas críticas dos sindicatos e simpatizantes, por impactar o trabalho de muitos homens (motosseristas). Está presente nos dois principais modelos de colheita, o full-tree e o cut-to-length.

O harvester comporta dois modelos básicos: o de esteiras e o de rodas, cada um com suas vantagens de acordo com a aplicação específica. O coração do harvester é o cabeçote de corte, equipamento que pode ser adaptado a escavadeiras de esteiras, transformando-as em harvester de esteiras.

A empresa Aracruz, que durante muitas décadas foi o “carro-chefe” do desenvolvimento florestal no Brasil, iniciou a pesquisa de desenvolvimento para montagem de um harvester brasileiro. Mister se faz lembrar que na época a importação era quase impossível. Em 1979/80, a Aracruz numa associação com a Caterpillar e a Implemater, começaram a montar um harvester usando como máquina base uma pá-carregadeira e um projeto de cabeçote com 4 rolos trazido pelo Eng. Allan Bruks. Podemos imaginar as dificuldades com essa montagem que os empreendedores tiveram, até após a era Collor, que abriu a importação. O projeto não decolou.

Hoje a produção de harvester nacionais não existe mais, porém a montagem dos cabeçotes estrangeiros em máquinas nacionais é feita com sucesso por algumas empresas. Ainda é possível adquirir o harvester com tesoura sob encomenda, até hoje.

Feller-buncher

O feller, como é mais conhecido, é uma máquina de altíssima produtividade, porém limitada ao sistema full-tree. Em meados de 1978/79, um engenheiro florestal americano, Mr. Tom Davis, teve a ideia de desenvolver um feller caseiro, na então fábrica de papel Manville S.A., em Otacílio Costa, SC. Contou com a colaboração de um jovem engenheiro mecânico, diretor técnico da pequena e desconhecida Implemater. A ideia foi montar uma torre de feller na frente de uma pá carregadeira Caterpillar 930; essa torre comportava um feller de tesoura hidráulica e tinha relativa produtividade na atividade de desbastes e até corte raso em Pinus spp. O cabeçote de feller de tesoura até que funcionava bem, sanadas as dificuldades com dimensionamento de mangueiras. Porém a máquina base, uma pá carregadeira, projetada para trabalho em pátios planos e muitas vezes calçados, tinha enorme dificuldade nos terrenos florestais sabidamente irregulares e inclinados, o que limitava bastante seu emprego, especialmente após chuvas.

Mais tarde foi a Implemater que trouxe para o Brasil um feller de verdade, ou seja, uma máquina base corretamente dimensionada para a floresta, com cabeçote de feller tanto de tesoura como de disco, permitindo aí o trabalho com árvores de diâmetro e altura maiores.

Temos que registrar a tentativa que a empresa Sul-Africana, Bell MachineryPty. Ltd. fez ao introduzir no Brasil seu cabeçote de feller, montado em uma máquina típica da Bell, ou seja, o Triciclo Bell, aqui apelidado de “Nega Maluca”. Era um equipamento bastante ágil, com um cabeçote igualmente produtivo e resistente. Sua limitação era o diâmetro das árvores. Uma característica curiosa era que a máquina, por ser triciclo não tinha grande estabilidade e facilmente tombava, porém, sua resistência e proteção do operador era tal que bastava destombá-la e voltar ao trabalho. Mais tarde uma empresa brasileira de Recife adquiriu o direito de produzi-la no Brasil, o que durou alguns anos.

A MECANIZAÇÃO NA SILVICULTURA

A Silvicultura demorou mais para ter suas atividades mecanizadas. No Brasil, ainda hoje, apenas as grandes organizações mantêm estruturas altamente mecanizadas no setor. Vários fatores concorrem para que a mecanização não aconteça a pleno: os custos dos equipamentos importados; os custos do desenvolvimento e a ainda fácil disponibilidade de mão de obra, conforme a região. Todavia, este último item está cada vez mais difícil, quer pela evolução da sociedade, quer pelas restrições trabalhistas.

A atividade de silvicultura sempre foi demandadora de mão de obra. Depois do plantio, os tratos culturais são a atividade importante consumidora de gente. Esse assunto foi o primeiro a ser “atacado”, com o advento da capina química com o desenvolvimento dos herbicidas, onde a Monsanto teve papel fundamental. Foi na década de 90 que houve o boom do uso de herbicida em florestas e as empresas sentiram a necessidade de fazer aplicação mecanizada, coisa que a agricultura já fazia. Porém não dá para migrar os sistemas agrícolas de aplicação para a floresta, por motivos sabidos. Foi necessário desenvolver equipamentos próprios, capazes de aplicar entre as mudas plantadas, pular restos de colheita, em áreas de reforma e ter o mínimo de deriva. Um dos mais populares equipamentos de aplicação ficou conhecido como barra de aplicação protegida Conceição uma homenagem à Eng. Agrônoma da Monsanto que a divulgou, mas que foi desenvolvida por técnicos da Klabin.

A ferramenta de plantio manual padrão ainda é o “sacho coração”, porém as plantadeiras, antes somente disponíveis via importação, hoje são fabricadas no Brasil e amplamente utilizadas.

O preparo do solo também evoluiu, especialmente no conceito técnico, pois até a década de 80 ainda se fazia o preparo total do talhão com aração e gradeação, como na agricultura. Na década seguinte surgiu o Ripper, que revolucionou o preparo de solo, não só pelo menor custo como pelo aspecto conservacionista, por não expor o solo à insolação total e à erosão. Para quem não sabe o Ripper é uma ferramenta que se coloca na traseira de trator de esteiras (preferencialmente) e possui 2 dentes colocados numa distância de aproximadamente 1,5 a 2,0m; cada dente deve ter no mínimo 40cm de comprimento, o qual penetra no solo e vai rasgando-o. Um conjunto de discos de grade vem atrás destorroando o solo levantado. O plantio se faz então nesse sulco.

Hoje já existem equipamentos nacionais que ripam e ao mesmo tempo plantam e adubam (quando necessário).

A tecnologia é nossa grande aliada, sua evolução nos permite hoje, alcançarmos níveis de produtividade inimagináveis há 50 anos atrás, especialmente no Brasil. É notório que poderíamos ter evoluído ainda mais, sermos ainda mais competitivos, se houvesse no passado um olhar mais cuidadoso dos governantes para o setor florestal. Daqui em diante, ainda há muito para se fazer, conquistarmos, e especialmente em tempos tão difíceis como este da pandemia, uma vez que sabemos que nosso setor contribui e muito no cotidiano da humanidade com seus mais variados produtos. Que venham os próximos 50, 100 anos de muita evolução tecnológica, de novas descobertas, com produção focada na importância e qualidade do meio ambiente, e prosperidade econômica para nosso setor.

Fonte: Madeira Total

 
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