O terremoto no Chile, ocorrido no último sábado, afetou o chamado cinturão de produção de celulose situado na região de Concepción, sul do país, criando paralisação das principais fábricas e incertezas sobre a retomada da normalidade.
Fabricantes de papel e celulose suspenderam a produção por causa do terremoto do último sábado que abalou a região de Concepción, no sul do Chile.
A Norske Skog paralisou a linha de produção da fábrica onde produz 130 mil toneladas de papel-jornal. O terremoto não provocou vítimas na fábrica que emprega 240 pessoas, informou a empresa de origem norueguesa.
A empresa disse que a operação ficará suspensa por um período. "Não é possível dar maiores detalhes sobre o status físico das operações", disse a empresa.
A Arauco, maior fabricante de celulose do Chile, também suspendeu parcialmente sua produção. Duas unidades, afetadas pelo terremoto, tiveram sua produção paralisada, segundo relatos obtidos por analistas. A CMPC informou que suas fábricas não sofreram com o impacto, também conforme os analistas.
As fábricas foram construídas com sistemas contra abalos sísmicos, lembrou a analista Debbie Bobovnikova, do JP Morgan, em nota aos clientes. No entanto, ela mesmo alerta para o fato de que os estragos na infraestrutura logística poderão ser tão desafiadores como eventuais impactos nas fábricas.
A Arauco e a CMPC possuem capacidade de produção de 5 milhões de toneladas por ano, o que significa algo ao redor de 8% da produção global de celulose vendida no mercado - uma especialidade dos produtores brasileiros, como a Fibria e a Suzano Pape e Celulose.
A CMPC, uma das maiores empresas de celulose do Chile, disse que por motivo de "força maior" interromperá, desde esta segunda-feira, sua produção de matéria-prima para a produção de papel, segundo comunicado assinado pelo diretor-geral, Sergio Colvin, o qual o iG teve acesso.
A paralisação deverá acontecer por inicialmente 30 dias. Mas poderá ser estendida por um período maior caso a infraestrutura logística de abastecimento de madeira e escoamento da celulose via portos, rodovias e viadutos não for recuperada antes disso."Nos próximos dias, esperamos ter uma ideia mais detalhada sobre a real dimensão da situação para recomeçar nossa produção", diz o comunicado da CMPC.
A região de Concepción concentra oito fábricas de celulose da CMPC e da Arauco que estão situadas num raio de cerca de 400 quilômetros do epicentro do terremoto. Essas fábricas são responsáveis pela produção de 2,7 milhões de toneladas de pasta extraída de pínus e 1,8 milhão de toneladas de eucalipto.
"Mais de 8% da capacidade de produção global de celulose de mercado poderá ser impactada", alertam os analistas do Credit Suisse, em nota distribuída aos clientes. Segundo a instituição, os estoques de celulose nas mãos dos produtores estão três dias abaixo do nível considerado normal (30 dias).
Para especialistas, o preço da celulose no mercado internacional poderá voltar a subir nos próximos meses. "Aparentemente vai faltar produto na China, onde a demanda está muito aquecida e que é o principal mercado dos chilenos", diz uma fonte que acompanha o setor. Essa quebra na oferta deve beneficiar os produtores brasileiros como a Suzano e a Fibria.
Fonte: Último Segundo