Em visita recente ao jornal Gazeta dos Pampas, o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Leonel Freitas Menezes, falou sobre as perspectivas do setor florestal no Rio Grande do Sul, em especial na região. Menezes é natural de Cacequi, engenheiro florestal formado pela Universidade Federal de Santa Maria e mestre em Engenharia de Produção. É diretor da empresa IBE - International Business In Eucalyptus e foi eleito presidente da Ageflor no final do ano passado para a gestão de 2010 e 2011.
Sobre o atual cenário do setor e perspectivas, Menezes lembra que nos últimos dois anos passou-se de uma fase de euforia para um período de incertezas: por um lado uma crise mundial que alterou o comportamento dos mercados e, por outro, uma indefinição jurídica e institucional sobre o futuro da silvicultura no RS. "Felizmente, ambas incertezas já são superadas, se não no todo, mas em parte e com boas chances de serem solucionadas definitivamente", comemora ele.
Ele acredita que o retorno dos plantios a partir deste ano irá refletir na região e ressalta que existem boas opções de negócios a partir das árvores. E, como consequência, prevê aumento de emprego de mão de obra, de renda, de insumos, máquinas e equipamentos e de outros serviços correlatos. Segundo Menezes, os plantios de eucalipto feitos em Cacequi há três anos têm como objetivo inicial para o primeiro corte a indústria de celulose e papel, mas é preciso pensar a longo prazo e pensar em plantios de floresta também para múltiplos usos. "Nossa região tem plenas condições de constituir uma cadeia de indústria madeireira", enfatiza.
De acordo com o presidente da Ageflor, já há sinais de recuperação dos volumes e preços de celulose e papel no mercado internacional. A indústria de painéis também se encontra em franca expansão, movida pela demanda das indústrias do setor mobiliário e pelo mercado moveleiro nacional, que tende a se aquecer com a redução do IPI para o setor. A indústria de madeira serrada de eucalipto, também se volta ao mercado doméstico, buscando atender, além do mercado moveleiro, o da construção civil, subtituindo com vantagens técnicas, econômicas e ecológicas a madeira nativa. Por fim, a madeira de pinus volta a ocupar algum espaço no mercado doméstico, mas ainda depende da recuperação do mercado americano e outros mercados mundiais.
A Ageflor congrega e representa as empresas da cadeia produtiva de base florestal do Rio Grande do Sul. De acordo com Menezes, é também papel da entidade elaborar e executar programas e projetos que visem o desenvolvimento sustentável da cadeia florestal, isoladamente ou em parceria com outras instituições públicas e privadas. Neste contexto parcerias com a Famurs e prefeituras municipais são importantíssimas para viabilizar a atração de investimentos na industrialização, beneficiamento e comercialização dos produtos madeireiros. "Desta forma sim teremos a perpetuação da atividade florestal-madeireira como fonte alternativa de renda as propriedades rurais e a comunidade como um todo", conclui ele.
Fonte: Gazeta dos Pampas