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01/10/2019
Por AGEFLOR
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Uso sustentável de florestas marca maior encontro de pesquisadores da área

Foto: Renata Silva/Embrapa

Pela primeira vez na América Latina, o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO)  começou oficialmente nesta segunda-feira (30 de setembro), em Curitiba. A preocupação com a pressão sobre as florestas e como a pesquisa científica pode contribuir para elaboração de políticas públicas foram os principais enfoques dos discursos da cerimônia de abertura, na Expo Unimed.

Com o tema “Pesquisa Florestal e Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável”, o evento é realizado pela IUFRO , com apoio da Embrapa e Serviço Florestal Brasileiro (SFB), além de outras instituições parceiras. “As mudanças climáticas e o crescimento da população mundial aumentam a pressão por recursos florestais. São desafios que se tornam cada vez mais complexos que não podem ser superados sem colaboração entre cientistas de diversas áreas e países”, afirmou Mike Wingfield, presidente da IUFRO, entidade não governamental e sem fins lucrativos, que congrega mais de 15.000 cientistas em quase 700 organizações associadas, em 126 países.

 Segundo o chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Iedi, o Brasil ocupa uma posição proeminente no cenário florestal. “São dez milhões de hectares de florestas plantadas. O setor de pesquisa permitiu, nos últimos 30 anos, que nos tornássemos referência em produção florestal e ainda temos uma vasta área de florestas naturais. Esse congresso  permite a troca de experiências e promove a integração das pesquisas florestais tanto no Brasil, quanto no mundo”, declarou.

Para o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho, é uma grande oportunidade para o estado receber o maior congresso de pesquisa na área florestal. “O Paraná, historicamente, desde a década de 1940 tem se dedicado as questões florestais, em diversas áreas e com muita pesquisa.  Nós temos grandes grupos empresariais que trabalham desde reflorestamento até o setor moveleiro, que gera renda e emprego. O setor  florestal é muito importante para o Brasil e para os diversos países do mundo. Esse congresso no Paraná só reforça o potencial do nosso estado e o potencial do Brasil para esse mercado mundial”, disse.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Valdir Colatto, representou a  ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina e destacou as políticas públicas voltadas para o setor florestal, como Cadastro Ambiental Rural (CAR), e as concessões para exploração florestal. “São instrumentos valiosos para que haja sinergia entre o setor de pesquisa e o setor governamental e por isso esse congresso se torna tão oportuno”, afirmou.

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Newton Silva Júnior, também reforçou a relação das pesquisas florestais com a formulação de políticas públicas, como Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que geram renda para agricultores familiares. “Só é possível conservar as florestas quando não houver fome entre as pessoas que nelas vivem”.

Números do Congresso

A programação do congresso segue até sábado,  5 de outubro e serão realizadas cinco plenárias com palestrantes de renome mundial, 20 subplenárias, 190 sessões técnicas com apresentações de mais de 4 mil trabalhos em forma oral e pôster, 23 excursões técnicas, além de 30 eventos e reuniões paralelas. Toda a programação estará distribuída em cinco temas estratégicos: “Florestas para as Pessoas”; “Florestas e Mudanças Climáticas”; “Florestas e Produtos Florestais para um Futuro Mais Verde”; “Biodiversidade, Serviços Ambientais e Invasões Biológicas”; e “Florestas, Interação com o Solo e Água”.

Congresso Mundial premia cientistas que trabalham pela preservação e uso sustentável das florestas

Foto: Renata Silva/Embrapa

Foto: Renata Silva/Embrapa

 

A relação direta entre o uso responsável, a preservação e o conhecimento científico foi consenso entre os representantes do poder público e instituições de pesquisa presentes a abertura do XXV Congresso Mundial de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO-2019). E este reconhecimento foi traduzido na premiação de dez cientistas com trabalhos de importância mundial e outros quatro pesquisadores brasileiros com reconhecida contribuição para a pesquisa florestal no país durante a sessão abertura.

Os premiados estrangeiros foram selecionados pela comissão cientifica do Congresso e os cientistas brasileiros foram indicados por meio de uma enquete realizada junto ao público florestal. “Apresentamos uma lista de 20 nomes com trabalhos importantes e reconhecidos e as pessoas e instituições do setor escolheram os quatro premiados”, disse Ieda Maria Malheiros, pesquisadora da Embrapa Florestas e uma das coordenadoras do evento.

Com trabalhos em áreas como inventariamento de florestas, manejo florestal e conservação, plantio de florestas e boas práticas florestais, foram agraciados: Sebastião do Amaral Machado, da Universidade Federal do Paraná; José Natalino Macedo Silva, da Universidade Federal Rural da Amazônia; Celso Foelkel, da Universidade Federal de Santa Maria; e Maria José Zakia, da Universidade Estadual Paulista.

Entre os cientistas de instituições internacionais, os trabalhos dos vencedores passam por temas diversos como o desenvolvimento de metodologias para contabilização de carbono, as mudanças no uso fundiário, inventário e modelagem ambiental, as pesquisas alimentares e florestas, a importância das árvores urbanas e as metodologias de avaliação do crescimento de árvores para preservação e uso sustentável.

Os dez cientistas estrangeiros premiados foram: Ellen Macdonald, Canadá; José Leonard de Moraes Gonçalves, Brasil; David Nowak, USA; Elena Paoletti, Itália; Marielos Peña-Claros, Holanda/Bolívia; Terry Sunderland, Canadá/Indonésia; Margarida Tomé, Portugal; Daowei Zhang, USA/China; Junyong Zho, USA/China; e Maria Nijnik, Reino Unido.

 
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