BibliotecaEventosNotícias da AgeFlorNotícias do Mercado
27/07/2020
Por AGEFLOR
Compartilhar esta notícia
Secretaria da Agricultura publica Instrução Normativa com medidas para o controle de surto de gafanhotos

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) publicou no Diário Oficial do Estado de sexta-feira (24) uma Instrução Normativa que dispõe sobre as medidas de defesa sanitária vegetal relativas à supressão e ao controle de surtos do gafanhoto migratório sul-americano no Rio Grande do Sul.

A publicação estabelece o plano de emergência para lidar com a praga, indicando  que a comunicação dos surtos será obrigatória, bem como as estratégias de controle na conjugação de esforços entre a secretaria, entidades e o produtor rural.

Veja a IN Nº 17/2020 na íntegra AQUI. (.pdf 398,58 KBytes)

Representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul (SFA-RS), e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) realizaram uma videoconferência quinta-feira (23) para traçarem medidas de controle da praga Shistocerca cancellata. A reunião foi coordenada pelo secretário Covatti Filho. A nuvem de gafanhotos se encontra na província de Corrientes, na Argentina, a 98 quilômetros do município gaúcho de Barra do Quaraí.  

O chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapdr, Ricardo Felicetti, afirmou que a Secretaria já tem o plano emergencial de supressão de surtos de gafanhotos Schistocerca cancellata estabelecido. “Atualmente, está na fase de vigilância e monitoramento, atuando na obtenção e geração de informações sobre a nuvem no país vizinho, juntamente com o esclarecimento aos produtores, bem como vigilância a campo”. Segundo ele, há manutenção do estado de alerta devido à proximidade da nuvem. “Contudo, não há evidências de que ela ingressará em solo gaúcho nos próximos dias”, acredita.

“Mas, caso seja necessário, todos temos que atuar rapidamente, uma vez que a praga apresenta grande movimentação. A nuvem andou 30 quilômetros de um dia para o outro”, alertou Felicetti. Conforme o engenheiro agrônomo, é preciso conjugar esforços para combater o inimigo, que pode causar sérios prejuízos à agricultura gaúcha. “Para tanto, é fundamental que os produtores estejam em estado de alerta e comuniquem qualquer evidência da nuvem às inspetorias de defesa agropecuária da Seapdr, ou aos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar mais próximos, bem como atuem conjuntamente no controle, caso ocorram os surtos”.

De acordo com o secretário Covatti Filho, que esteve em Brasília quarta-feira (22), o recurso de R$ 600 mil, que será liberado pelo Mapa, poderá ser utilizado na aquisição de produtos para tratamento fitossanitário e contratação de serviços de aplicação de inseticidas. “Os recursos contemplam 21 dias de tratamento, visando ao controle inicial e das gerações que nascerem das posturas das fêmeas. Mas acreditamos que a chance da nuvem chegar ao Estado nos próximos dias é baixa”.

Felicetti esclareceu que, se houver adoção de controle químico, as aplicações necessariamente são sempre submetidas à prescrição de receituário agronômico com recomendação específica para a praga e atribuição de responsabilidade técnica, além de serem fiscalizadas pela Seapdr. “Serão feitas de maneira segura, visando à preservação do meio ambiente e principalmente à proteção da saúde humana e dos consumidores”.

Sobre aviação agrícola, Felicetti informou que há disponibilidade de aviões que fariam a aplicação. “A disponibilidade é para localização estratégica, uma vez que a nuvem apresenta grande mobilidade. Com isso, poderia ser acionada a aeronave mais próxima de onde se encontra a nuvem, a fim de aplicar o controle o mais rápido possível”. 

Participaram da reunião virtual também representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Emater/RS-Ascar, sindicatos rurais, Seapdr, além de prefeitos e secretários municipais de Agricultura.

Operação na Argentina elimina cerca de 80% da nuvem de gafanhotos

Um relatório divulgado na tarde deste domingo (e atualizado à noite), pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), confirmou que 80% da nuvem de gafanhotos que estava em Federación, província de Entre Rios (na fronteira com o Uruguai), foi eliminada pelas pulverizações terrestres e aéreas  ocorridas na quinta-feira e nesse sábado (25). Conforme falou ao Sindag o chefe do Programa Nacional de Gafanhotos e Ticuras da Argentina, Hector Emílio Medina, com isso a nuvem, foi definitivamente rompida. Tudo ocorreu a cerca de 100 quilômetros da cidade gaúcha de Barra do Quaraí.

Foto: Divulgação Sindag/Senasa

“Alguns gafanhotos sempre permanecem, mas vamos continuar o controle em caso de detecção”, acrescentou Medina. De fato, à noite o Senasa informou pequenos grupos de gafanhotos foram detectados em pontos isolados. Onde serão feitas aplicações com pulverizadores costais (com aplicador a pé) nesta segunda-feira (27).

A nuvem de insetos havia chegado a Federación na terça-feira (21). Na quarta-feira, uma operação aérea contra os gafanhotos foi abortada na última hora, devido ao nevoeiro. Já na quinta (23), depois da pulverização aérea ter sido novamente cancelada na última hora, produtores do município entraram em ação com seus equipamentos – pulverizadores tipo turbina, acoplados em tratores.

REFÚGIO

Como a temperatura estava baixa e o tempo frio impede a fuga dos insetos (que ficam lentos) os gafanhotos remanescentes das pulverizações do dia 23 foram localizados já na sexta, em uma área próxima. Eles estavam espalhados em um perímetro de 380 hectares de pomares e florestas comerciais de eucalipto, na altura dos quilômetros 296 a 298 da Ruta 14, próximo a um dos acessos à cidade.  

No sábado a operação começou às 9 horas, com sete produtores usando seus pulverizadores terrestres (tipo turbina) em 290 hectares. Entre as 13h30 e as 14h45, um avião agrícola se encarregou dos gafanhotos espalhados pelos 90 hectares restantes. A aeronave decolou da cidade de Chajarí, situada 35 quilômetros ao norte de Federación.

O comunicado do domingo foi divulgado em conjunto com a Federação das Associações Rurais de Entre Rios (Farer), destacando que a missão de diminuir a densidade da nuvem havia sido alcançada. Conforme o chefe da Sociedade Rural de Chajarí e secretário adjunto da Farer, Héctor Reniero, isso foi possível graças ao envolvimento dos órgãos federais, governo provincial e entidades do setor produtivo.  “É importante destacar a coordenação público-privada na abordagem desse problema, respondendo rapidamente à preocupação do setor produtivo”, completou Reniero, que acompanho de perto todo o trabalho.

Além do Senasa, governo de Entre Rios e Farer, a mobilização envolveu o Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (Inta), Federação Agrária Argentina (FAA), Federação de Citricultores de Entre Rios (Facier), Câmara de Exportadores de Citrus do Nordeste Argentino (Cecnea), Associação dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste Argentino (Aianer), Centro de Investigação e Desenvolvimento  Tecnológico para a Pequena Agricultura Familiar (Cipaf), Associação de Produtores de Mirtilo da Mesopotâmia Argentina (Apama) e a Fundação de Luta contra a Febre Aftosa (Fucofa), Associação dos Engenheiros Agrônomos do Nordeste Argentino (Aianer), Centro de Investigação e Desenvolvimento  Tecnológico para a Pequena Agricultura Familiar (Cipaf).

MAIS DUAS NUVENS

Tanto no lado argentino quanto no lado brasileiro, o alerta contra gafanhotos prossegue, já que o Senasa segue monitorando outra nuvem, ainda maior – com 20 quilômetros quadrados, localizada na segunda-feira (20), no norte do país. Essa segunda leva de insetos também teria entrado a partir do Paraguai, na província argentina de Formosa. Na terça, os gafanhotos chegaram à província do Chaco, onde seguem sendo rastreados pelo langosteros – apelido dos técnicos do Senasa, a partir da palavra espanhola para gafanhotos.

E há ainda uma terceira nuvem no Paraguai, que teria aparecido dia 16 de julho no radar do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes paraguaio (Senave). A última localização dos insetos anunciada pelo Senave foi na terça (21), na localidade de Picada 500, a cerca de 200 quilômetros da fronteira argentina.

O que quer dizer também que segue valendo a ajuda com aviões, técnicos e todo o pessoal e equipamentos de solo oferecidos pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) ao Ministério da Agricultura brasileiro e à Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul. Só no território gaúcho, o Sindag deixou 70 aviões de sobreaviso, em empresas nas áreas de fronteira. A frota aeroagrícola do Estado tem mais de 400 aeronaves – quase 20% da frota nacional do setor.  

Havia mais de 70 anos que uma nuvem tão grande de insetos não se aproximava da fronteira argentina com Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Inclusive o surto ocorrido em 1947 determinou o surgimento da aviação agrícola brasileira, que teve seu primeiro voo em 19 de agosto daquele ano, contra gafanhotos no município gaúcho de Pelotas.

IPEF participa em ações

A situação dos gafanhotos vem sendo monitorada oficialmente pelo Brasil desde o dia 19 de junho, após o relato oficial pelo governo argentino. No dia 24 de junho, foi publicada a portaria nº 201, que declarou emergência fitossanitária em áreas produtivas dos Estados de Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC). A partir dessa Portaria, foi criado um grupo de trabalho para elaboração de um plano de combate aos gafanhotos, pioneiro no Brasil. Para discutir e trabalhar no plano de combate, o SINDAG (Sindicato da Aviação Agrícola) tem atuado ativamente, contando com a chancela e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Dentro deste grupo participam diversas instituições da agricultura, incluindo as secretarias de defesa agropecuária, representantes de classe, iniciativa privada e pesquisadores. O IPEF é um dos participantes, através do seu programa cooperativo sobre proteção florestal (PROTEF), bem como de algumas de suas empresas filiadas, em especial, aquelas que possuem área próxima aos possíveis locais de ingresso dos insetos.

O PROTEF contribuiu na redação do plano de combate, enviando informações técnicas sobre os cultivos florestais, métodos de controle registrados, dentre outros, que serviram como embasamento para criação do plano. É importante ressaltar que o plano de combate está baseado na experiência de outros países, contando com a robustez de informações científicas e seguindo todas as recomendações da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) quanto ao manejo de surtos de gafanhotos. O plano de combate construído pelo grupo foi enviado ao MAPA.

 

Com informações da Seapdr, do Ipef e do Sindag

 
Voltar