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24/06/2020
Por AGEFLOR
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Portugal: indústria do papel quer fazer parte da recuperação verde e investe 100 milhões em sustentabilidade

Em pleno século XXI, e com a digitalização da economia a todo o vapor, em 2018 cada português consumiu ainda, em média, 102,8 kg de papel e cartão. Já chegou a ser muito mais, mas também já foi menos. Portugal é terceiro maior produtor europeu de pasta e o 11.º que mais produz papel e cartão. Em 2018, as quatro empresas associadas da CELPA — Associação da Indústria Papeleira — Altri, DS Smith, Renova e The Navigator Company — registaram um volume de vendas de 2.913 milhões de euros, ou seja, 1,44% do PIB nacional. Agora, as papeleiras nacionais querem ser também melhores na sustentabilidade.

“Estes resultados têm vindo a ser acompanhados por uma permanente preocupação com o ambiente, o que se traduz também em fortes investimentos nesta área“, garante o secretário-geral da CELPA, Luís Veiga Martins, revelando que, na última década, a indústria do papel “investiu mais de 100 milhões de euros em tecnologias para otimizar o seu desempenho ambiental”. Números de 2018 mostram que houve uma redução de 7% na utilização de água por tonelada de pasta produzida, menos 10% na carga orgânica dos efluentes e uma redução, em cerca de 5%, nas emissões de partículas. Os biocombustíveis continuaram a ser uma aposta, tendo representado 70% dos combustíveis consumidos pelo setor.

“Estas empresas gerem quase 170 mil hectares de floresta certificada, garantindo uma gestão responsável que protege as funções ambiental, social e económica, e constituem-se como atores fundamentais para a recuperação verde europeia”, refere a CELPA em comunicado.

Com as preocupações ambientais no centro das atenções em todo o mundo, a indústria portuguesa de pasta, papel e cartão compromete-se assim a contribuir para mitigar as alterações climáticas com ações e investimentos em diversas áreas, nomeadamente, na área da prevenção de incêndios, onde as empresas associadas da CELPA já investiram nos últimos anos 15,4 milhões de euros. Em investigação e desenvolvimento, os investimentos ascenderam a 23,3 milhões de euros, com as ações de proteção ambiental a canalizar mais 33,3 milhões.

Ao ECO/Capital Verde, Luís Vega Martins admite a “maior visibilidade dos impactos negativos” da indústria do papel no ambiente, mas garante que há contributos positivos que quase ninguém vê. O exemplo está no facto de a indústria ter empresas próprias de sapadores florestais para combater os incêndios nos milhares de hectares que gerem no país, sendo que “95% da sua atuação é feita em ações de proteção de toda a floresta portuguesa”, da qual o Estado só detém 4%.

E apesar dos mais de 100 kg de papel que cada português gasta por ano, 70% do papel consumido é reciclado, seja ele papel gráfico e de escritório, cartão canelado de embalagens ou papel de uso doméstico. “Cada fibra de papel pode ser reciclada sete vezes até ser valorizada. A economia circular já é maioritária na indústria do papel e tenderá a crescer se todos contribuírem para a reciclagem do produtor até ao consumidor final“, garante a CELPA, acrescentando que “79% da água utilizada na produção é restituída limpa ao meio ambiente, fazendo da indústria papeleira, uma das mais eficientes na gestão dos recursos ambientais”.

Ainda assim, Luís Veiga Martins alerta para “os efeitos da pandemia Covid-19 na reciclagem. Durante o período de confinamento alguns concelhos suspenderam a recolha de resíduos selecionados para prevenir o contágio da Covid-19, ainda que necessária, esta suspensão certamente terá efeitos nas metas com que Portugal está comprometido. À medida que o desconfinamento avança, é importante que se tomem medidas para incentivar e sensibilizar os consumidores a aumentarem a reciclagem e os produtores a incorporarem material reciclado”.

Os números mostram também que 76% dos resíduos sólidos resultantes da produção da indústria papeleira são valorizados na produção de energia ou através de simbioses industriais com outros setores de atividade. Por ano, as quatro empresas geram mais de 3,4 TW (terawatts) de energia elétrica a partir de biomassa (6% da eletricidade produzida no país), sendo que 73% são utilizados na produção de papel e cartão e os restantes 27% injetados na rede nacional.

São apenas quatro grupos empresariais — Altri, DS Smith, Renova e The Navigator Company –, mas juntos são proprietários e responsáveis pela gestão direta de quase 170 mil hectares de floresta certificada, o que representa 5,2% da floresta nacional. Por ano produzem 2,67 mil toneladas de pastas de fibra virgem (eucalipto e pinho, dados de 2018) e 214 mil toneladas de pastas de papel para reciclar. Portugal é assim o terceiro maior produtor europeu de pasta, com 7,2% do total, exportando para 24 países (com a União Europeia a absorver 72,6% das exportações nacionais, e apenas 10,3% a ficar no mercado nacional). Os restantes 15,4% seguem para o Médio Oriente, Ásia e Oceânia. No que diz respeito ao papel e cartão, a produção nacional ronda as 2.060 mil toneladas, com exportações para cerca de 160 mercados internacionais.

Indústria florestal contribui para mais de 5% do PIB. RAIZ e Navigator Company lançam site Florestas.pt

Quanto vale a Economia da floresta? E a Bioeconomia, que percentagem representa do valor gerado no país? Foi para responder a estas e a muitas outras questões que o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e do Papel e a The Navigator Company lançaram esta segunda-feira uma plataforma digital inteiramente dedicada à floresta portuguesa — www.florestas.pt — que reúne informação sobre o setor florestal nas suas diversas dimensões – natural, ambiental, recreativa e socioeconómica.

Em Portugal a floresta ocupa 36% do território, é responsável por 9% das exportações do país e ajuda a mitigar seis milhões de toneladas de gases com efeito de estufa. Mas há mais. Sabia que “com um volume de negócios de 9 mil milhões de euros na indústria de base florestal e mais de 1,2 mil milhões de euros gerados pela produção silvícola em 2017, a economia da floresta tem um impacte muito significativo nas contas nacionais”? Estes números, diz a plataforma Floresta.pt, significam que a indústria de base florestal e silvicultura contribuíram, respetivamente, para cerca de 4,6% e 0,6% do Produto Interno Bruto nacional (PIB) nesse ano. Juntas, foram também responsáveis por cerca de três mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB).

Já a Bioeconomia representa 7% do valor gerado em Portugal, frisa ainda o Florestas.pt. No Dia Mundial do Ambiente, 6 de junho, num debate de urgência sobre “Justiça climática e saída para as crises” no Parlamento, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, prometeu para breve a apresentação de um novo plano de ação para a Bioeconomia Sustentável. Isto porque, refere a plataforma dedicada às Florestas que agora se estreou, a economia circular e a bioeconomia em Portugal têm expressão reduzida: representam cerca de 4,2% (7 mil milhões de euros) e 7% (12 mil milhões de euros), respetivamente, do valor acrescentado bruto do país, segundo o relatório “Bioeconomia Circular e Digital”, da COTEC Portugal e Universidade Católica (2020).

“Estes valores, referentes a 2017, ainda são diminutos tendo em conta a ambição europeia de um modelo circular de baixo carbono – complementar ao objetivo do bloco europeu de atingir a neutralidade carbónica até 2050. Ainda assim, estão acima do que se verifica na média da economia europeia, onde o peso da economia circular é de 3,45% e o da bioeconomia é de 4,9%. Em Portugal, a economia circular e a bioeconomia têm crescido em termos de valor acrescentado, valor de negócios e produtividade, nos últimos anos. Segundo o relatório COTEC, é possível alcançar um crescimento mais rápido nos próximos anos. Para tal, será necessário aproveitar novos biomateriais e bioprodutos de origem florestal”, escreve o Florestas.pt.

A plataforma que chega esta segunda-feira ao universo digital cita também as conclusões preliminares do Global Forest Resources Assessment 2020 para mostrar que a a floresta mundial que se perdeu nos últimos 30 anos equivale a mais de 20 vezes a área de Portugal Continental, embora o ritmo de perda tenha vindo a diminuir: depois de um declínio médio de 7,8 milhões de hectares/ano na década 1990-2000, registou-se uma redução na última década para 4,7 milhões de hectares/ano. Segundo o mesmo documento, a floresta ocupa atualmente 31% da área terrestre global.

Em Portugal, a floresta representa 36% do solo continental, numa extensão superior a três milhões de hectares, segundo o 6º Inventário Florestal Nacional, apresentado em 2019 (com dados que reportam a 2015). Este valor coloca Portugal em linha com a média europeia e mostra um aumento de 59 mil hectares (1,9%) face a 2010 (data da avaliação anterior).

No momento em que é lançada, a plataforma Florestas.pt conta com o apoio e colaboração da comunidade científica nacional e de várias instituições e iniciativas com ligação à floresta. É uma iniciativa do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, um centro de investigação privado, sem fins lucrativos, reconhecido como entidade do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e como Centro de Interface – Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia, e da The Navigator Company. O site encontra-se estruturada em quatro secções:

  • Conhecer: Dados sobre a caracterização da floresta portuguesa, assim como uma visão alargada dos múltiplos desafios que se colocam ao seu equilíbrio e sustentabilidade;
  • Valorizar: Indicadores socioeconómicos da floresta portuguesa e dos seus vários sectores, assim como o valor dos seus produtos, dos seus serviços e o potencial trazido pela inovação de base florestal (bioeconomia);
  • Descobrir: Descoberta da floresta portuguesa e para a vivência dos seus benefícios, sendo disponibilizado para este efeito um conjunto de informação de cariz cultural e recreativo (roteiros, curiosidades, aplicações tradicionais dos produtos florestais, saúde e gastronomia);
  • Notícias & Agenda: Principais acontecimentos que marcam o setor florestal, assim como destacados eventos que permitem conhecer, valorizar e descobrir a floresta.

Fonte: ECO/Capital Verde

 
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