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06/10/2019
Por AGEFLOR
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Maior congresso de pesquisa florestal do mundo termina fortalecendo a posição do Brasil na comunidade científica

Um público de 2.500 pessoas, de mais de 90 países. Mais de 1.200 trabalhos em cinco sessões plenárias, 19 sessões subplenárias, 172 sessões técnicas, 350 sessões cientificas, 1.648 apresentações orais, 1.200 pôsteres. Esses são alguns dos principais números do XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), maior evento de pesquisa florestal do mundo e que aconteceu pela primeira vez na América Latina, tendo Curitiba como sede. Durante sete dias, cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e profissionais do setor florestal discutiram os rumos da pesquisa florestal e o papel do setor para o desenvolvimento sustentável. O próximo congresso vai acontecer em 2024, em Estocolmo, na Suécia.

Para Yeda de Oliveira, pesquisadora da Embrapa Florestas e vice-presidente do Comitê Organizador do IUFRO 2019, o principal resultado desse importante evento são as conexões criadas entre os pesquisadores, bem como a oportunidade de parcerias e troca de experiências. Para reforçar a importância do encontro, ela lembrou que a capital paranaense não recebia, desde 2006, quando aconteceu a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), um Congresso que trouxesse tantas pessoas, de diferentes países.

“Criamos aqui as fundações para a ponte que queríamos construir entre diferentes instituições, países e pessoas. A conexão internacional foi incrível. Há uma grande expectativa para os trabalhos em conjunto a partir de agora, assim como para a possibilidade de as pessoas utilizarem os dados que foram apresentados. Isso é muito interessante e certamente a relação entre o Brasil e a IUFRO sai mais fortalecida”, garantiu.

A pesquisadora citou, ainda, a importância da exposição, que, segundo ela, foi muito agregadora, pois além de trazer as tradicionais empresas florestais e as editoras de livros, deu a oportunidade de os participantes andarem por uma feira da sociobiodiversidade, com os biomas brasileiros representados não só por mudas, mas, sim, pelas pessoas que vivem no meio rural desses biomas. “Essas pessoas mostraram para o público as suas realidades. Isso faz com que possamos compreender melhor a complexidade do meio florestal brasileiro”, destacou.

Edson Tadeu Iede, chefe-geral da Embrapa Florestas, uma das entidades organizadoras do evento, disse que o Congresso foi uma oportunidade de os pesquisadores brasileiros e dos países vizinhos interagirem com pesquisadores da Europa, Ásia e Américas do Norte e Central. Ele reforçou que essa troca de conhecimento traz sinergia entre as pesquisas, o que ajuda a encurtar o caminho.

“Muitas vezes, não temos a informação básica, então é preciso desenvolver completamente. Porém, essa informação básica pode estar nos trabalhos dessas pessoas que estiveram aqui, e isso pode nos ajudar nos nossos trabalhos. Acredito que atingimos o objetivo de conectar as pessoas. Cumprimos o nosso papel, fazendo o melhor possível, e isso fortalece o setor como um todo e o Brasil também”, apontou.

John Parrota, novo presidente da IUFRO 2024, elogiou a organização do encontro e disse que a informação de que o Brasil seria o país-sede foi muito comemorada, porque, segundo ele, todas as pessoas interessados em florestas querem vir para o país. Agora, ele convida todos para a edição de 2024, na Suécia. “Cada congresso é diferente, e tenho certeza que teremos um ótimo encontro em 2024”, afirmou.

Cerimônia

Na tarde desse sábado, 05 de outubro, aconteceu a cerimônia de encerramento do XXV Congresso Mundial da IUFRO. Valdir Colatto, diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), uma das entidades organizadoras do evento, disse que a semana foi muito rica e que foi possível conhecer programas brasileiros e de outros países sobre conservação, manejo e uso sustentável das florestas. “O SFB foi representado por 35 profissionais, que saem daqui com um olhar renovado para aprimorar as políticas públicas para o setor florestal. O governo brasileiro sente-se honrado com o sucesso extraordinário desse Congresso, que com certeza entrará para a história da IUFRO”, disse.

Jerry Vanclay, presidente do comitê científico do evento, afirmou que cuidar da terra é um tema central para os pesquisadores, e isso foi ao encontro de muitas discussões durante a semana. Ele citou que a preocupação dos congressistas com o meio ambiente levou muitos participantes a assinarem a declaração do Congresso, que enfatiza o compartilhamento e a manutenção do método de conhecimento científico para guiar o manejo sábio das florestas.

“Houve muita discussão, muita troca de conhecimento, o que ajudou a fortalecer nossa rede de pesquisa. Precisamos entender que é nossa responsabilidade cuidar da terra para o futuro. A juventude do planeta já identificou isso, e eles cobram que tenhamos mais cuidado com o mundo. A assinatura da declaração, chamada ‘Ciências florestais para o futuro’, mostra que os participantes têm um compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável”, garantiu.

Mike Wingfield, que deixou nessa tarde a presidência da IUFRO, apontou, em seu discurso, que as atividades humanas criaram pressões sem precedentes nas florestas. Segundo ele, as palestras ao longo do encontro mostraram que a crise ambiental e as mudanças climáticas são a questão dominante e estão por trás de cada aspecto da ciência florestal hoje em dia.

“Assistimos com entusiasmo aos delegados mostrarem seu compromisso com o meio ambiente ao assinarem declaração escrita por membros do nosso comitê cientifico. Isso mostra que os cientistas florestais estão preparados para encontrar soluções para as ameaças que o mundo enfrenta. Esse deve ser o resultado mais importante do Congresso”, afirmou.

Ainda durante a cerimônia, Wingfield passou o bastão da presidência da União para John Parrota, que ficará à frente da IUFRO entre 2019 e 2024. Parrota ressaltou a riqueza do planeta Terra e lembrou que as florestas, com toda a sua diversidade, são de vital importância para o mundo, pois suportam as necessidades da população e proporcionam diversos bens e serviços, como madeira, comida e remédio, além de benefícios ambientais, como o armazenamento de carbono, reciclagem de nutrientes, água e purificação do ar. Ele também citou que o mundo está diante de enormes desafios, que têm grande implicação sobre as florestas. Por isso, é preciso fazer mais e melhor. “Vou trabalhar no sentido de incentivar mais colaboração entre nós para evoluir na nossa capacidade de pesquisa. Vamos continuar conectando ciências, florestas e pessoas por um mundo melhor”, salientou.

Estocolmo 2024

Para fechar o evento, Johanna Brismar Skoog, embaixadora da Suécia no Brasil, e Fredrik Ingemarson, presidente do Comitê Organizador do Congresso de 2024, receberam, das mãos de Yeda de Olveira e Joberto de Freitas, a bandeira oficial do evento, como forma de passar o bastão para o próximo país-sede.

Johanna avaliou que Curitiba como sede do 25º encontro foi uma ótima escolha, já que, na opinião dela, a cidade é a mais verde e mais limpa do Brasil. Ela ressaltou, ainda, que as florestas são importantes para o país, assim como para a Suécia, e têm valor fundamental na comunidade internacional, justamente pelos desafios de mudanças climáticas e aquecimento global.

“A Suécia teve um alto grau de terra desmatada no século 19, mas, agora, as florestas cobrem 70% do país. Além disso, temos uma forte tradição cientifica e um prêmio que coloca a pesquisa florestal em nível internacional. É uma honra para a Suécia sediar o 26º Congresso, e esperamos todos vocês lá”, completou.

Subplenária traça panorama das operações florestais em quatro continentes

Pesquisadores da Europa, Uruguai, África do Sul e Estados Unidos mostraram como está o cenário das operações florestais nos seus países durante as discussões do Congresso Mundial da XXV União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), em Curitiba.

Aspectos como impactos ambientais, eficiência operacional, qualidade dos produtos  e ergonomia foram abordados pelos representantes dos quatro continentes na subplenária “Rumo a uma operação florestal sustentável por um futuro mais verde”. O tema também foi abordado durante uma sessão técnica.
A discussão se baseou nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que buscam caminhos em direção a um mundo que integre aspectos sociais, energéticos, econômicos e ambientais, com segurança e equidade para os povos.

Europa

O pesquisador do Departamento de Agricultura, Alimentação e Meio ambiente e Florestas da Universidade de Florência (Itália), Andrea Laschi coordenou o debate e apresentou uma visão geral das operações florestais na Eupora por meio do conceito de Operações Florestais Sustentáveis. “É um conceito para o qual, todos nós pesquisadores da área, teremos que nos debruçar. O consumo de madeira na Europa é maior do que a quantidade que é produzida e esse é um grande desafio para o setor”, pontuou.

Para Laschi investir em maquinários com tecnologias de ponta e em capacitações para os trabalhadores para diminuir os riscos são os principais aspectos a serem observados pelo setor florestal europeu.  “Nós sabemos que os melhores maquinários geram efeitos positivos porque melhoram a eficiência das operações e a segurança dos trabalhadores.  Também é importante considerar a tecnologia adequada para cada contexto e o planejamento das operações”, disse.

África

O pesquisador Andre McEwan, da Universidade Nelson Mandela, da África do Sul falou sobre as operações florestais no continente africano. “As operações florestais, de forma geral,  tem se focado na redução dos custos, aumento dos lucros com pouca ênfase nos valores sociais e tais como segurança e preocupação ambiental. A atividade está associada a níveis altamente insustentáveis e os trabalhadores não usam equipamentos de segurança”, disse.

Segundo McEwan, algumas iniciativas tem demonstrado que é possível fazer diferente. “Melhorar é difícil porque envolve investimentos e mudança de cultura, mas queremos usar os dados científicos para estimular essa melhoria e para isso estamos criando uma comunidade de pesquisa sobre o tema”, disse.

América Latina

O pesquisador Alejandro Oliveira, da Universidade República do Uruguai, representou a América Latina nas discussões. “No Uruguai, 90% das operações florestas são mecanizadas e 60% da produção florestal é destinada a indústria de celulose. Nós ainda não sabemos os efeitos disso no solo em longo prazo. Temos muito a pesquisar sobre compactação e erosão do solo, para isso estamos com um programa de pesquisa de cinco anos, na fase de estabelecer metodologias”, contou.

América do Norte

A pesquisadora Dalia Abbas, da Universidade Americana, de Washington (DC),  falou sobre o panorama das operações florestais dos Estados Unidos, apesar da grande disparidade do cenário nos diferentes estados da federação. “Os Estados Unidos é um país enorme em que cada estado possui sua legislação, além disso, a vegetação varia muito então tentar resumir esse cenário é algo muito complexo”, afirmou.

Segundo Abbas, para que as operações florestais sustentáveis sejam realidade do território norte americano é fundamental criar mecanismos que incentivem a avaliação das operações em cada um dos estados.

Mesmos desafios

Apesar das particularidades de cada país, o coordenador do debate, Laschi, conclui a sessão com a confirmação que de os desafios são os mesmos. “Todos temos que focar em segurança do trabalhador e uso de maquinário e tecnologias para reduzir o impacto”, finalizou.

Painel discute importância das florestas e seus produtos para o desenvolvimento sustentável

Quando o assunto são as mudanças climáticas, a floresta e seus produtos têm ficado no centro das atenções. Para discutir o assunto, o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) trouxe a plenária “Florestas e produtos florestais para um futuro mais verde”. Foram convidados para o debate o diretor do programa de Pesquisa GCIAR sobre Florestas, Árvores e Agroflorestas, Vincent Gitz, da Indonésia, e Francisco Razzolini, diretor executivo de Tecnologia Industrial, Inovação e Produtos Sustentáveis da Klabin S/A. A professora Daniela Kleinschmit foi a moderadora da plenária.

Para dar início ao debate, Daniela destacou que toda discussão tem “duas mãos” e explicou que, ao mesmo tempo que o setor florestal tem tido destaque para resolver as questões climáticas e o aquecimento global, há também os efeitos controversos. “Os produtos florestas estando no centro podem trazer outros problemas, como o aumento da exploração, possível perda de biodiversidade e a lacuna resultante entre demanda e fornecimento”.

Vicent Gitz concordou, e afirmou que o mundo quer mais árvores, mais florestas e mais madeira, mas que isso não está acontecendo. O pesquisador é líder no programa CGIAR, uma parceria global de pesquisa para um futuro com segurança alimentar, dedicado à redução da pobreza, aprimoramento da segurança alimentar e nutricional e melhoria dos recursos naturais. Segundo ele, o problema está na economia, que é “estúpida, porque o sistema global de alimentação é o principal drive de desmatamento e má conservação de florestas”.

Quando se pensa em madeira, Gitz apontou que um número importante mostra que o consumo per capita é bastante desigual, citando que o consumo na Europa, por exemplo, é seis vezes mais alto do que o da Ásia. Além disso, ele lembrou que o principal limite para o consumo é a produção regional, à medida que o comércio entre regiões é limitado.

“Há potencial de crescimento de demanda, seguindo o crescimento populacional na África e Ásia, locais onde o consumo per capita é baixo. Também devemos ter em mente que leva tempo para a madeira crescer, e o aumento da demanda pode ser endereçado para o que já está disponível. Do contrário, vamos ‘comer as florestas’”, comentou.

Ele reforçou que a preservação as florestas plantadas representam 7% da superfície de florestas e produzem 47% da madeira bruta, e para fazer estimativas para o aumento de plantações, é preciso levar em conta o que existe de terra disponível e aproveitar os potenciais de reprodução a curto prazo. Mas, segundo o pesquisador, “não há muito para se trabalhar nas florestas. Por isso, o mais importante é trabalharmos na cadeia de valor”.

O problema para isso são os obstáculos, como a estrutura clássica, já que, quando o país e o setor estão em desenvolvimento, falta cadeia de valor organizada, o que dificulta a criação de espaço para investimento econômico. Na questão econômica, especificamente das florestas e agricultura, ele citou que há uma linha de tempo entre investimentos e retorno, baixas margens operacionais e baixa visibilidade para operações a longo prazo. Por isso, é preciso falar de políticas de terras, pensando também na competição com outros setores, como a agricultura, por exemplo, que dá retorno mais rápido.

Nesse cenário, Vicent Gitz disse que há algumas ações que podem ser propostas, como o zoneamento do uso da terra, que identifica as áreas que são permanentemente de uso florestal e que podem proteger florestas intactas e funções ecossistêmicas.

“Zoneamento de terra pode levar a segurar uso de terra a longo prazo e facilitar financiamentos, pois reconhece valor adicionado a partir dos investimentos originais”, explicou.

Em seguida, ele sugeriu organização e planejamento no desenvolvimento do setor florestal ou parte dele, enquanto que, simultaneamente, usam-se diferentes áreas.

Outro ponto levantado pelo pesquisador foi com relação à transformação política. Ele disse que, em nível nacional, isso merece ser apoiado pela comunidade internacional, por reconhecimento dos ativos globais de preservação e sustentabilidade.

“A cooperação internacional poderia se concentrar em apoio ao ambiente institucional e econômico propício ao desenvolvimento da silvicultura, transferência de tecnologia, facilitação de investimentos e pesquisa e desenvolvimento”, destacou.

Por fim, Gitz ressaltou que toda essa discussão traz implicações para cientistas e pesquisadores, pois as soluções “não são como receita de bolo”.

“Em uma Conferência em Roma que falava de desmatamento, alguns participantes disseram que não precisamos de mais pesquisa, de mais ciência, precisamos agir. Mas nós acreditamos que precisamos, sim, de tudo isso para desenvolver mais soluções”.

Como sugestões, ele citou zoneamento de terras com base em evidências; fundamentos para revisitar os modelos de produção e sua coabitação; e nova análise da curva de transição florestal, para mais florestas e mais produtos de madeira ao mesmo tempo, com mais dados sobre os custos e os benefícios do setor florestal, incluindo restauração de terras e de florestas.

“Temos um número limitado de soluções técnicas testadas com conhecido retorno econômico. Vimos ótimos exemplos no Brasil realizados pela Embrapa para testar projetos de cadeia de valor, para ver como o desenvolvimento técnico pode ser acompanhado com análise de custo-benefício. Precisamos basear tudo isso com opções de abordagem contextual, em que tanto os tipos de floresta, como o modo de produção e cadeia de valor são adaptados às condições”, concluiu.

Experiência da Klabin

Francisco Razzolini, diretor da Klabin, mostrou a experiência da empresa no assunto. Segundo ele, a Klabin acredita em biomateriais como solução, porque eles se desenvolvem na natureza há centenas de anos, e essa evolução criou ótimos produtos.

Hoje, 43% das áreas da companhia são de preservação de fauna e flora. Ele explicou que a biodiversidade é algo fundamental e que a plantação da empresa é em mosaico, com floresta nativa cercando a plantação. “Isso nos dá ótimo equilíbrio e uma excelente floresta saudável, além de preservar vidas animas também”, destacou.

Nos impactos ambientais em energia limpa e renovável, Razzolini citou que 89% das métricas de energia são renováveis, e a Klabin consegue reciclar 92% dos resíduos que gera. Na Unidade Puma, por exemplo, localizada em Ortigueira, no Paraná, a empresa tem o reconhecimento da certificação que demostra práticas de manejo de energia.

“Temos um equilíbrio de carbono muito positivo, 5.1 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Isso significa cinco milhões de carros que fazem uma viagem de mil quilômetros, por exemplo. Temos que ter orgulho, porque esses números são integrados”, citou.

Outra ação da Klabin é apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que foram incluídos nas estratégias de crescimento da companhia, justamente porque o objetivo é alcançar um futuro e uma empresa sustentáveis.

Na área de tecnologia, o diretor lembrou que a empresa investe muito em tecnologia e tem mais de 100 pesquisadores trabalhando em rotas da madeira, porque aumenta a produtividade e ajuda a ter melhores fibras. Para criação de novos produtos, há a preocupação com opções ambientalmente amigáveis, com introdução de materiais biodegradáveis na indústria.

“Nos últimos 20 anos, existem muitos esforços em pesquisa e desenvolvimento nas empresas para introduzir produtos madeireiros nos biocombustíveis, bioenergia e biomateriais. Isso está se transformando em realidade atualmente. Na Klabin, levamos em consideração as megatendências. População cresce e envelhece, há muita urbanização, crescimento da classe média. Isso demanda mudanças nos hábitos das pessoas e nos hábitos de consumo. Com todas as mudanças climáticas e esforços para mitiga-las, vemos crescimento com preocupação com meio ambiente, e precisamos pensar nisso”, avaliou.

Com relação ao mercado, Razzolini enxerga boas oportunidades ao analisar curvas de desenvolvimento do uso do papel e do plástico. Ele ressaltou que, dos anos 90 até hoje, percebeu-se grande uso incremental dos materiais plástico, que, infelizmente, não são renováveis e não são biodegradáveis, afetando muito o meio ambiente. Ao mesmo tempo, os consumidores estão buscando mais informações sobre o assunto, já que a preocupação aumentou.

“Grandes marcas, hoje, estão vendo o movimento em direção a produtos renováveis. Por isso, temos muita oportunidade para um futuro sustentável. Na Klabin, estamos usando o Kraftliner em caixas, e conseguimos com 100% de base de eucalipto, que tem melhores propriedades em comparação com os tradicionais, principalmente nos testes de compressão. Para 500 mil toneladas, precisamos de 30 mil hectares de área. Essa é uma oportunidade para menos uso de solo, de energia e de água, um bom resultado em direção à sustentabilidade, com as mudanças que estamos vendo no mundo”, afirmou.

Dentre os componentes, a empresa tem utilizado celulose microfibrilada, fibra altamente refinada que desenvolve microfibras e cria muitas oportunidades para ligação, tornando o papel mais forte, assim como com uma superfície melhor.  Ela também está usando nano cristais extraídos da celulose, com força e resistência, que dão a oportunidade singular de desenvolver barreiras de oxigênio em combinação com outros materiais, evitando, assim, o uso de plástico e alumínio. Outro material é a lignina, um material bastante complexo, mas que dá inúmeras oportunidades, proporcionando a utilização de menos plástico e mais fontes renováveis.

Francisco Razzolini lembrou que algumas pesquisas mostram que, hoje, 60% dos consumidores consideram as floresta como algo que está em redução e muitos não veem materiais com base em fibra como renováveis. Além disso, algumas pessoas acham que florestas não são geridas de maneira sustentável. Por isso, ele reforça que é preciso melhorar a forma de comunicar a sustentabilidade.

“Sabemos que nosso segmento tem uma grande história para contar e para colaborar com um mundo melhor, com produtos de floresta. Hoje, a floresta plantada representa apenas sete milhões de hectares no Brasil, menos de 1% do território. Vemos oportunidades com a mudança no país nos aspectos econômicos. A pecuária está crescendo mais para o Norte do Brasil, onde não há inverno, e essas áreas são espaços em que estamos expandindo. Também temos oportunidades de desenvolver a produtividade. Nesse cenário, acreditamos que a pesquisa e o desenvolvimento irão apoiar nossa tecnologia e nosso crescimento futuro”, completou.  

Daniela Kleinschmit fechou o painel e disse: “precisamos de abordagem global, não só nas florestas, mas também na agricultura, para unir os dois. A importância da pesquisa e da ciência também precisa ser difundida, e essa é a razão pela qual estamos aqui”.

Iufro também aborda silvicultura de precisão

Silvicultura de precisão foi tema de uma sessão técnica do XXV Congresso Mundial da Iufro, nesta sexta-feira, 4 de outubro. O objetivo foi discutir os avanços tecnológicos proporcionados pelas práticas de gestão de precisão com foco no futuro das florestas plantadas.

Pesquisadores do Brasil, Canadá, Suécia, Estados Unidos e outros tantos países puderam trocar experiências e abordar de forma prática temas referentes à silvicultura de precisão.

O pesquisador da Embrapa Florestas, Itamar Bognola, destaca que a silvicultura de precisão contribuiu para que o setor florestal brasileiro inovasse no desenvolvimento florestal, baseado principalmente no cultivo dos gêneros Eucalyptus e Pinus: “Tivemos grandes avanços científicos e tecnológicos que ajudaram a aumentar a produtividade de espécies florestais usadas comercialmente. Podemos citar como exemplos a melhoria genética, os programas de melhoramento e fertilidade do solo, de nutrição de plantas de viveiro, a mecanização do trabalho manual nos plantios e vários outros”, pontua o pesquisador.

As práticas de manejo de precisão são recomendadas em situações em que existam variabilidade dos fatores de produção no talhão florestal (fertilidade do solo, ervas invasoras, pragas e doenças, água, etc.) e os rendimentos variam em função dos mesmos numa dimensão em que a razão da relação custo/benefício seja favorável. Nessas condições, seriam aplicados manejos diferenciados em termos de adubação, controle de invasoras, pragas e doenças, etc., em lugar do tradicional manejo baseado na média.

Para a adoção do manejo florestal, nos preceitos da silvicultura de precisão, a coleta de dados, o gerenciamento da informação, a intervenção localizada e a avaliação dos resultados são fases sequenciais a serem observadas.  A etapa final é a avaliação dos resultados, que está distribuída ao longo da rotação, sendo dinâmica, permanecendo em constante realimentação, o que permite que se avalie a adequação da estratégia utilizada e se promova ajustes em todo o processo.

A sessão foi coordenada em parceiria por Itamar Bognola, da Embrapa Florestas e por Alexandre de Vicente Ferraz e Guilherme Oguri, do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF).

Foram abordados na sessão, nove casos: “Nova geração florestal baseada em práticas de gestão de precisão”, por José Leonardo de Moraes Gonçalves, da Universidade de São Paulo (ESALQ/Piracicaba); “Unidades de Manejo Operacionais para o Eucalipto pelo Método da Lógica Fuzzy”, po Itamar Bognola, da Embrapa Florestas; “Avaliação da automação do irrigador mecanizado”, por Murilo Marques, da Faculdade de Ciências Agronômicas, FCA/Unesp; “Mapeamento de propriedades da madeira no nível individual da árvore e da paisagem para maximizar a produção e aprimorar a utilização do recurso florestal”, por Mathew Leitch, da Lakehead University, Canadá; “Avaliação da capina química automatizada”, por Augusto Locci, da Faculdade de Ciências Agronômicas, FCA/Unesp; “A importância da genotipagem para site específico na silvicultura de precisão”, por João Antonio Fowler, da Embrapa Florestas; “Projeto de plantio diferente com a mesma densidade não produz diferença no crescimento de plantações de coníferas na Suécia”, por Mostarin Ara, da Universidade Sueca de Ciência Agrícola, Alnarp, Suécia; “Um modelo de resposta à fertilização em rotação média do pinho loblolly, respondendo pela incerteza da resposta”, por Cristian Montes, da Universidade da Geórgia, Estados Unidos e  “Avaliação da variabilidade espacial em povoamentos clonais de eucalipto”, por Rafael Dias, da Universidade de São Paulo (ESALQ/Piracicaba).

Produto biológico para controle de praga em pinus é apresentado

Causadora de um prejuízo que chega a cerca de 25 milhões de dólares por ano ao setor florestal brasileiro, a vespa-da-madeira (Sirex noctilio) )tem controle e o produto é resultado de 30 anos de pesquisas da Embrapa Florestas. Trata-se do Nematec, um produto biológico lançado em abril deste ano e que está sendo apresentado no XXV Congresso Mundial do IUFRO, que acontece em Curitiba desde domingo e vai até o próximo sábado, 5 de outubro. “Em laboratório, nós fazemos a criação massal do nematóide Deladenus siricidicola, inimigo natural da vespa-da-madeira, que dentro da árvore esteriliza as femeas do inseto”, explica a pesquisadora Susete Chiarello Penteado, da Embrapa Florestas.

A vespa-da-madeira é a principal praga de plantios de pinus no país. Ao depositar seus ovos nas árvores, a fêmea deste inseto também deposita um fungo e uma muco-secreção que matam a árvore. “Esta praga foi introduzida no país em 1988 e já em 1989 a Embrapa iniciou um trabalho de controle com o apoio de cerca de 120 empresas do setor”, relata a pesquisadora.

Além de provocar a morte da planta, as larvas da vespa-da-madeira também formam galerias no seu interior, o que afeta a qualidade da madeira, limitando seu uso ou tornando-a imprópria para o mercado. Mas o produtor pode evitar esses prejuízos por meio do Manejo Integrado de Pragas (MIP), e assim detectar a praga antes desta provocar um nível de mortalidade superior a 1%. Segundo os estudos, a liberação dos inimigos naturais, associada a detecção precoce e ao não uso herbicidas são a forma mais eficaz de controle.

Programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Conduzido pela Embrapa Florestas e pelo Funcema (Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais), o programa é uma parceria público-privada que acontece desde 1988. Naquela ocasião, análises de cenários identificaram que a praga poderia causar sérios prejuízos e até mesmo inviabilizar a produção de pinus no Brasil. “Uma grande etapa foi a transferência de tecnologia. Hoje temos pessoas preparadas para realizar o controle da vespa”, afirma Susete.

Atualmente, a vespa-da-madeira está presente em cerca de 80% dos plantios de pinus no país, com áreas atingidas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, ou seja, em cerca de 1,4 milhões de hectares, dos quase 1,7 milhão plantados no País. O Nematec, produto desenvolvido pela Embrapa Florestas, é distribuído nesses estados por meio das 120 empresas que fazem parte do Funcema.

Brasil é referência no controle biológico em pinus

Para a pesquisadora Susete Chiarello, especialista no assunto, há uma tendência do uso de controle biológico no setor florestal porque o ambiente é propício. “Diferentemente do ambiente agrícola anual, onde o produtor libera o inimigo natural, corta a planta, colhe e depois tem sempre que fazer novas liberações, no ambiente florestal há uma estabilidade. Uma vez liberado, ele se estabelece”, explica.

Além da vespa-da-madeira, a pesquisa da Embrapa vem se dedicando há algumas décadas ao controle do Pulgão-gigante-do-pínus (Cinara atlantica e C. Pinivora). A praga foi identificada no Brasil a partir da década de 90, quando causou grandes prejuízos às plantações. “Ela ataca plantas novas, que sugam a seiva do pulgão e entre outras coisas ficam tortas, escuras e com superbortação”, esclarece a pesquisadora. Quase duas décadas depois das primeiras liberações do parasitóide Xenostigmus bifasciatus, uma vespinha que parasita as fases jovens da praga, hoje o inimigo natural já está estabelecido.

No caso da formiga cortadeira, outra praga comum em plantios de pinus, Susete Chiarello revela que o manejo é de extrema importância, visto que formicidas muito utilizados estão proibidos. “A Embrapa vem realizando pesquisas com plantas alternativas, buscamos algum componente de uma planta que possa afetar as formigas”, disse a pesquisadora.

Susete Chiarello acredita que o produtor já está entendendo a importância do controle biológico em plantios florestais. “É uma mudança de cultura, o produtor tem que entender que se usar o controle biológico, não vai ter resistência, ocorre um equilibrio na área”, comenta a especialista. No entanto, ela chama a atenção para a necessidade de ter produtos eficientes no mercado. “É preciso investir para ter bons resultados e para obter a preservação do meio ambiente”, enfatiza a pesquisadora.

Rede Mulher Florestal, Embrapa e CMPC promovem evento para discutir os caminhos para atingir os ODS no setor florestal

Para contextualizar o papel do setor florestal nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU), a Rede Mulher Florestal, com o apoio da CMPC e da Embrapa Florestas, promoveu, durante o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), um evento paralelo com o tema “Florestas e ODS: experiências e perspectivas”, com cases das empresas. A moderadora do evento foi a pesquisadora da Embrapa Florestas, Edina Moresco, que, recentemente, assumiu a coordenação da Comissão Local de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade.

Para Mariana Schuchovski, do conselho diretor da Rede Mulher Florestal, os objetivos e a Agenda 2030 da ONU já estão sendo bastante discutidos, e é preciso reconhecer o setor e todas as organizações que já vêm adotando boas práticas para aplicação dos ODS nas florestas.

“As florestas têm um papel muito relevante no atingimento de vários objetivos, como o 13, de mudanças climáticas, o 15, que se refere a vidas terrestres, e vários outros que se relacionam, direta ou indiretamente, ao setor florestal. Por isso, precisamos trazer a público esse importante papel e evidenciar a contribuição das empresas e do setor com trabalhos voltados para isso. Nosso objetivo é inspirar, engajar, fomentar outras prática no setor e em outras áreas também”, afirmou.

Segundo Nicholas Gordon, da CMPC Chile, uma empresa global que completa 100 anos em 2020 e está há 10 no Brasil, as metas são bastante desafiadoras, mas o setor florestal tem conhecimento e criatividade para colaborar com esse movimento. Ele disse que é impossível que uma empresa siga nessa jornada sozinha e que é preciso parceria e colaboração.  

“Os pares devem aproveitar a gama de conhecimento e identificar novas formas de ajudar, porque o setor tem grande potencial para realizar os ODS. Os produtos das florestas e as próprias florestas são fontes de armazenamento de carbono, algo que é realmente necessário no momento atual”, ressaltou.

Pensando nisso, a CMPC desenvolveu, ao longo de 12 meses, um “Roadmap” para servir como um guia das empresas para acessar as melhores práticas e as soluções inovadoras para conquistar um futuro resiliente e sustentável. “Esse guia estabelece o alinhamento do setor com os ODS. Queremos saber globalmente o impacto das nossas atividades, o que estamos fazendo e o que poderemos fazer no futuro”, complementou.

Um dos pontos de defasagem do setor florestal percebido pela empresa durante a produção do roadmap foi a questão de equidade de gênero. Por isso, ele afirmou que as empresas devem usar os objetivos para mudar essa realidade, com esforços, programas, abordagem de gestão e trabalho para desenvolver lideranças. Segundo ele, essas ações vão abrir novas portas para as mulheres no segmento. Agora, com o guia, um grupo de soluções florestais vai realizar uma reunião em Lisboa, Portugal, para discutir os planos de ação para os pontos levantados.

“Vamos começar com engajamento contínuo e a contribuição do nosso setor para os ODSs. Nosso compromisso é avançar. Vamos revisar os indicadores-chave e alinhar com as capacidades de impacto. Atuamos como catalisadores, estimulando o diálogo e a colaboração. A implementação exige a mudança de tendências e desenvolvimento de políticas, além de outros esforços, mas, nos próximos 10 anos, precisamos olhar para essa base e ver quais tendências e mudanças nas políticas podem ter impacto neste caminho”, garantiu

Após a apresentação de Gordon, Ivone Namikawa, da Klabin S.A, destacou o trabalho que vem sendo realizado pela empresa, seguindo um pouco do conceito do roadmap apresentado pelo representante da CMPC Chile. Ela afirmou que a Klabin está trabalhando “no sentido de produzir benefícios não só econômicos, mas também para os trabalhadores, a comunidade, a sociedade em geral e o meio ambiente”.

Segundo Ivone, a questão da biodiversidade é “absolutamente importante” para a Klabin, o que tem ligação com os ODSs 13 e 15. Ela citou que, nos trabalhos da empresa, já foram listadas 728 espécies de fauna e 108 espécies de flora, algumas das quais estão, inclusive, ameaçadas de extinção, e isso só é possível graças ao manejo em mosaico realizado pela Klabin. “Isso é manejo florestal responsável. As áreas de florestas plantadas estão entremeadas com as áreas de florestas naturais em forma de mosaico. Dessa forma, biodiversidade, fauna e flora encontram seu abrigo”, reforçou.

Ivone explicou, ainda, que a Klabin está desenhando suas metas e indicadores no curto, médio e longo prazo, e a empresa tem ligado esse planejamento aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Uma das metas é conseguir produzir sua matéria-prima sendo “amiga do meio ambiente”. Além disso, ela lembrou que, seguindo o objetivo de sustentabilidade nas cidades e nas comunidades, a companhia tem apostado em programas de desenvolvimento com a restauração das florestas naturais e com a certificação dos pequenos produtores.

“Procuramos incentivá-los nas metas de boas práticas de manejo florestal sustentável. Fazendo isso, estimulamos a restauração das florestas naturais nas suas áreas de preservação permanente e nas áreas de reserva legal. Nesse processo, conseguimos que os pequenos produtores e os fornecedores também sejam certificados. Esses programas proporcionam a eles melhor desenvolvimento econômico, porque identificam outras atividades em potencial”, comentou.

Por fim, a colaboradora citou os trabalhos da Klabin para cumprir o objetivo de energia limpa e inovação em infraestrutura. Entre outras coisas, a companhia gera energia a partir dos resíduos de produção de celulose e também utiliza biocombustíveis. Assim, eles conseguem gerar energia excedente à que é utilizada na própria indústria, e esse excedente é colocado à venda na linha de geração elétrica da empresa. “O que geramos de energia em uma única unidade, a unidade de Ortigueira, pode abastecer uma cidade do tamanho de Londrina”, apontou.

A terceira palestra do evento ficou por conta de Ana Luisa Reis e Ivania Lopes, representantes da Suzano, que falaram sobre protagonismo e liderança feminina apoiados pela empresa. Ivania afirmou que, para a Suzano, esse tema é muito importante e que a companhia trabalha com diagnóstico, plano de ação e monitoramento participativo. Ela citou que, de todos os projetos sociais com mais de oito mil famílias participantes, 36% têm lideranças femininas.

“Mulheres têm liderança e protagonismo na agricultura das famílias. Essas lideranças têm autonomia em gestão, produção e comercialização, independentemente da cadeia produtiva que estejam inseridas. Como a Suzano fortalece outras cooperativas e associações, fizemos um levantamento que apontou que, no último mandato das cooperativas, havia 322 lideranças femininas. Hoje, no novo mandato, o número pulou para 384, um aumento de 20%. Ainda é um resultado micro, mas podemos dizer que estamos alcançando um avanço significativo”, avaliou. 

Ana Luisa Reis complementou a fala de Ivania, lembrando do trabalho da Suzano no Maranhão para fortalecer mulheres extratoras de coco. Por lá, eles procuraram resgatar as práticas extrativistas tradicionais na região, que tem um forte porte econômico. Segundo ela, a atividade é majoritariamente feminina, com 90% de mulheres. O mesmo cenário é percebido no universo das profissionais colhedoras de açaí.

Ao fim da palestra, Ana Luísa lembrou que a Suzano tem um programa para identificar a vocação de cada comunidade para encontrar, assim, formas de potencializar a renda. Ao longo desse projeto, que nasceu em 2012, a companhia trabalhou também em um plano de transição agroecológica, o que foi um marco interno.

“Trabalhamos no diagnóstico participativo para construir juntos. Não somos detentores do conhecimento e temos muito para aprender. Esse projeto levou a um salto de 20% nas lideranças femininas. No momento do planejamento, o papel da mulher ficou muito claro para a família e para o grupo. São inúmeras mulheres à frente dos trabalhos e nos renovamos a cada dia para poder melhorar ainda mais esse cenário”, completou.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.

Trabalho da Embrapa

Para ajudar as empresas com relação aos objetivos de desenvolvimento sustentável, a Embrapa formou uma equipe com participação de 400 colaboradores, das 52 unidades espalhadas pelo país, para organizar 18 e-books, um para cada ODS e o último para uma apresentação institucional. Cada um deles descreve o que o órgão já faz ou está programando fazer para o alcance das metas.

Durante o evento, a pesquisadora Gisele Freitas Vilela, da Embrapa Territorial, lançou oficialmente a versão em inglês do e-book sobre o ODS 15. Das nove metas previstas para esse objetivo, a Embrapa considerou que poderia contribuir com sete. Com o título “Vida na Terra – contribuições da Embrapa”, a publicação conta com 10 capítulos e trabalho de 39 autores, de 13 unidades. A ação foi conduzida por cinco mulheres pesquisadoras, que vislumbraram a oportunidade de colaborar com a empresa e com os ODS, enxergando, nisso, o trabalho que elas mesmo realizam.

www.embrapa.br/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-ods

Rede Mulher Florestal

Durante o encontro, Mariana Schuchovski apresentou aos participantes a Rede Mulher Florestal, uma instituição que surgiu em 2018 para discutir o gênero e promover o respeito à diversidade. “A visão é de que todos nós, homens e mulheres, possamos trabalhar para um futuro no setor em que exista a igualdade de gênero, bem como a igualdade de oportunidades”, revelou.

O trabalho, feito pelo engajamento voluntário das pessoas que acreditam na causa e na possibilidade de transformação dentro do setor e da sociedade, tem por objetivo, entre outras coisas, promover a troca de experiências. A Rede Mulher Florestal tem presença em 13 estados do Brasil e trabalha em cima de sete pilares: mulheres na tomada de decisão; política florestal e gênero; presença e papel das mulheres no setor; igualdade e empoderamento; informação; educação e treinamentos; e gestão. Hoje, são 45 associados, sendo 39 mulheres e quatro homens

“Estamos falando de um movimento que não é para ser endógeno. Não queremos falar de mulheres para mulheres, queremos falar de sociedade para a sociedade, então queremos que todos participem. Além dos ODSs relacionados à natureza, à biodiversidade, à manutenção de árvores, estamos falando também de como esse setor está ajudando a desenvolver a sociedade. Temos um caminho significativo pela frente. Por isso, precisamos nos inspirar e perceber que, para tudo que estamos olhando, existe esperança e muita gente fazendo coisas que vão ao encontro do desenvolvimento sustentável”, concluiu.

 
Textos: Maureen Bertol/Embrapa Florestas
 
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