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24/06/2020
Por AGEFLOR
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CNA destaca importância do Plano de Investimentos Verdes para Agricultura no Brasil

O plano “Destravando o Potencial de Investimentos Verdes para a Agricultura no Brasil”, elaborado pela Climate Bonds Initiative (CBI), em parceria com o Subcomitê de Agricultura da Iniciativa Brasileira de Finanças Verdes, foi lançado nessa terça (23), durante um webinar. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil integra o Subcomitê.

Para a CNA, o Plano de Investimentos abre um canal de diálogo entre a agropecuária brasileira, os investidores e a sociedade, ao apresentar por meio de dados, como o setor tem atingido alta produtividade com uso de tecnologia.

“A Confederação tem trabalhado para modernizar o modelo de financiamento para o agro e as alternativas verdes se mostram convergentes ao potencial de atração de investimentos no setor”, afirmou a assessora técnica do Núcleo Econômico da CNA, Gabriela Coser.                                  

O evento online foi moderado pela representante-executiva da CBI na América Latina, Thatyanne Gasparotto, e contou com a participação dos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, da vice-CEO da CBI, Justine Leigh-Bell, do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campo Neto, da presidente da UBS Brasil, Sylvia Coutinho, e do diretor de Investimentos da PGGM, Jeroen Verleun.

Os títulos verdes (green bonds) são instrumentos de dívida emitidos por entidades privadas financeiras ou não, ou públicas, em que os recursos captados são usados para financiar projetos e ativos 100% sustentáveis.

Na abertura do webinar, Justine Leigh-Bell afirmou que o Plano de Investimentos para Agricultura Sustentável é fundamental para dar maior visibilidade sobre o cenário de oportunidades de finanças verdes no setor agropecuário brasileiro. “O Brasil tem potencial para ser o maior condutor agrícola sustentável do mundo. Esse documento é um ponto de partida para o trabalho que vamos colocar em prática”.

Em novembro de 2019, o Ministério da Agricultura e a CBI assinaram um memorando de entendimento para desenvolver o mercado de títulos verdes no agro brasileiro. Com este ato, o Mapa busca estimular novas fontes de financiamento para o setor, promovendo práticas e tecnologias sustentáveis.

“O Plano de Investimentos já é resultado dessa cooperação técnica. Sem dúvida, o Brasil, como a maior potência agroambiental do planeta, tem todo interesse em atrair esses recursos para financiar atividades econômicas que atendem boas práticas ambientais”, disse a ministra da Agricultura.

Em sua fala, Tereza Cristina destacou que o país tem a capacidade de colher até três safras anuais em uma mesma área, com gestão adequada de recursos hídricos.

“A intensificação da produção de alimentos em uma mesma área é uma forma de otimizar o uso de recursos naturais e os produtores rurais precisam de financiamentos verdes para manter esse cenário”.

Para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o Brasil possui o Código Florestal mais rigoroso do mundo e precisa se colocar na posição de potência agroambiental. “Temos tudo para atrair os investidores: portfólio de projetos, ativos de qualidade e tecnologia. No setor de infraestrutura, a emissão de títulos verdes pode proporcionar redução de custos, aumento de competitividade e descarbonização da matriz de transportes”.

Durante o webinar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, falou sobre como os temas meio ambiente e clima têm despertado interesse dos bancos. “É impossível pensar em inflação e estabilidade financeira sem considerar as questões climáticas. Elas influenciam o crescimento econômico e até a taxa de juros neutra, que é uma variável importante para o Bacen”.

Em sua exposição, a presidente da UBS Brasil, Sylvia Coutinho, afirmou que o Brasil possui um arcabouço legal único, se comparado a outros países. “A UBS pode ser uma importante fonte de atração de recursos externos, pois sabemos quem são os investidores lá fora. Com isso, o Brasil pode se tornar líder global em finanças verdes, já que possui os maiores ativos ambientais do mundo e também um dos agros mais competitivos”.

Para o diretor de Investimentos da PGGM, Jeroen Verleun, a emissão de títulos verdes está avançando cada vez mais, bem como as regras para esses investimentos. “Os investidores internacionais estão caminhando na mesma direção, com metas mínimas para financiamentos de práticas sustentáveis, estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU)”.

No encontro online, os participantes também debateram sobre a Lei 13.986/2020, que estabelece novos mecanismos para estimular o financiamento do agro, via mercado de capitais, principalmente para atração de investimento estrangeiro. A lei é a conversão da Medida Provisória 897/2019, conhecida como MP do Agro, e é fruto do trabalho da CNA e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a partir das propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020.

Números – O Brasil é o segundo maior mercado de títulos verdes da América Latina e Caribe. O país representa 30,5% do volume emitido na região e US$ 5,9 bilhões de recursos.

Em termos comparativos, o volume de títulos verdes emitidos no Brasil até 2019 representa pouco mais que o dobro do volume de recursos anunciados para o financiamento e estímulo de práticas sustentáveis na safra 2020/2021, via Programa para Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura (ABC). O Programa terá R$ 2,5 bilhões em recursos e taxa de juros de 6% ao ano.

No âmbito da Convenção do Acordo das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, até 2030, o Brasil precisará de US$ 209,9 milhões a US$ 224 bilhões para atingir os compromissos e metas de redução de emissões, firmados em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

Agricultura, uso da terra e florestas são os principais setores que podem atrair financiamento para projetos com critério de mitigação e resiliência climática, e consequentemente, contribuindo com os compromissos firmados pelo Brasil.

Assessoria de Comunicação CNA

 
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