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04/12/2016
Por AgeFlor
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Artigo: O papel das florestas

Há pouco mais de um século, desembarcavam no Brasil as primeiras mudas de eucalipto, trazidas da Austrália, e de pinus, oriundas principalmente da Europa e da América do Norte. Os estudos específicos com eucalipto no país começaram a partir de 1903 em áreas pertencentes a ex-Companhia Paulista de Estradas de Ferro e tinham como objetivo a produção de dormentes das ferrovias. Desde então, institutos, universidades e empresas investiram em pesquisa sobre a silvicultura dessas espécies, consolidando o Brasil como um dos principais produtores mundiais. Outras espécies, exóticas e nativas, também passaram pelo mesmo processo e hoje compõem importantes plantios comerciais, com destaque para a acácia-negra, álamo, teca, seringueira, paricá, araucária e erva-mate.

Essas florestas plantadas desempenham papel relevante no meio rural e urbano, produzindo riqueza econômica e ambiental. As florestas resultam em produtos madeireiros e não madeireiros. Produtos madeireiros são aqueles materiais lenhosos, como madeiras, móveis, painéis reconstituídos, postes, moirões, fibras, folhas e lenha. Já entre os não madeireiros, podemos citar as resinas, óleos, sementes e serviços ambientais (sequestro de carbono, melhoria dos solos, diminuição da pressão sobre áreas de florestas nativas, entre outros).

A evolução desse setor econômico foi tão grande que dados oficiais publicados recentemente pelo IBGE indicam que o extrativismo vegetal e a silvicultura participam, em diferentes níveis, da economia de todos os 5.570 municípios do país.

O valor da extração vegetal e da silvicultura somou R$ 18,4 bilhões em 2015. Só a silvicultura, com seus quase 8 milhões de hectares no Brasil, contribuiu com expressivos R$ 13,7 bilhões. Significa dizer que de cada R$ 100 reais derivados das florestas brasileiras, R$ 75 cresceram em florestas plantadas.

O Rio Grande do Sul é um dos Estados de destaque no cenário nacional em silvicultura, envolvendo especialmente os setores de móveis, serrarias, energia, tanino, resina, celulose e papel. As condições de solo e clima, associadas à pesquisa, desenvolvimento e inovações tecnológicas (público e privado) impulsionaram a capacidade gaúcha na produção florestal. Este setor é responsável por aproximadamente 4% da riqueza do Estado. A riqueza de base florestal move milhares de empresas que integram uma importante cadeia produtiva e gera outros milhares de empregos diretos e indiretos no meio rural e urbano (indústria — serviços — comércio).

Com a tendência brasileira e mundial de elevação do consumo de produtos de origem florestal renováveis, temos como desafio elevar os níveis de investimento em pesquisas, inovações tecnológicas, extensão e fomento florestal. Além disso, o aprofundamento do diálogo do setor produtivo, técnico e governamental com a sociedade em geral sobre o papel econômico, social e ambiental é crucial para que as florestas participem ainda mais do desenvolvimento sustentável do país.

Fortalecer as florestas e sua sustentabilidade é fortalecer a economia e o desenvolvimento social.

Dr. Édson Bolfe é pesquisador, coordenador do Sistema Agropensa / SIM-Embrapa
Contato: edson.bolfe@embrapa.br
Veja mais em: www.embrapa.br/agropensa

 
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