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23/02/2021
Por AGEFLOR
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Livro aborda qualidade do solo em plantações de Pinus no Sul do Brasil

Na segunda-feira, dia 22/02, às 19h, ocorreu a live de lançamento do livro “Qualidade do Solo em Plantações de Pinus no Sul do Brasil” com autores são da UTFPR-DV, UFSM e UNI-Freiburg. A live foi  transmitida pelo Canal do Youtube do Grupo de Pesquisa em Ciência do Solo da UTFPR. Link de acesso: https://youtu.be/b_2qEzgasTA

A preocupação com a qualidade do solo no setor de florestas plantadas, assim como no setor agropecuário como um todo não é algo recente, numa escala de algumas décadas. Durante o transcorrer do século passado, passou-se um modelo extrativista e predatório para o solo para um modelo conservacionista, tendo como base os trabalhos de pesquisa e difusão de informações feitos por cientistas, extensionistas e profissionais de diversos setores ligados ao uso do solo.

As florestas plantadas não ficaram de fora deste movimento. O setor, predominantemente, também passou de um modelo retrógrado de cultivo do solo para plantar florestas (com uso do fogo e cultivo em área total, muitas vezes), por buscar sistemas conservacionistas e capazes de manter o solo em níveis qualitativos adequados. Nesse setor, um agravante foi, ou ainda é em muitas regiões, o fato de as florestas serem plantadas, predominantemente, em solos de baixa fertilidade, depois de terem sido degradados por queimadas e uso inadequado do solo para diversos fins.

Nestas constantes mudanças de uso do solo, o monitoramento do efeito dos sistemas de cultivo em evolução sempre foi de grande importância, de forma a indicar aos pesquisadores e usuários diversos do solo se a qualidade estava em ascensão ou declínio.

As práticas silviculturais e de manejo, em constante evolução desde a década de 1960, principalmente, quando as florestas plantadas começaram a se expandir no Brasil, são as principais ações que podem levar, com o passar dos anos, a alterações da qualidade do solo.

Porém, essa qualidade do solo deve ser monitorada. E, para isso, indicadores eficientes devem ser testados e validados, de forma que o cultivo do solo em florestas plantadas possa ser monitorado e que medidas possam ser tomadas, sempre que necessário, para a não degradação deste nas práticas silviculturais e para a avaliação dos possíveis acréscimos/decréscimos na quantidade de matéria orgânica armazenada. Os principais indicadores que podem refletir, em menor tempo e com maior eficiência, a qualidade do solo, são as frações da matéria orgânica do mesmo, principalmente na fração particulada. Isso é de grande importância nas plantações florestais, onde o ciclo de cultivo é maior em comparação a outras espécies, como as culturas anuais.


No livro “Qualidade do solo em Plantações de Pinus no Sul do Brasil”, onde foi realizado um intenso trabalho de fracionamento e quantificação da matéria orgânica do solo em diversos cultivos de Pinus, ficou demonstrado que a qualidade do solo em agroecossistemas tem a matéria orgânica como indicador consagrado, presente também em diversos trabalhos abordados em revisão. Em geral, no entanto, a maioria dos estudos foi realizado com culturas agrícolas. Quando se tratam de espécies florestais, os trabalhos são ainda escassos, mas apontam para uma relação equilibrada entre plantação e solo, se boas práticas silviculturais forem aplicadas.

Os resultados apresentados no livro, comparando-se áreas onde ocorre vegetação natural (Campo Nativo, Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional), os plantios de Pinus taeda e P. elliottii mostraram capacidade de acumularem mais serapilheira e carbono orgânico sobre o solo, os quais tendem a apresentar uma decomposição/liberação relativamente lenta, pelo menor teor de nitrogênio e consequente maior relação C/N. Neste enfoque, cumprem dupla função, de proteção física do solo e de repositório nutricional de médio e longo prazo, incrementando a ciclagem de nutrientes.

Dados demonstram que plantações sobre Cambissolos que sofreram, durante seu histórico de cultivo, ações como a retirada ou queima de resíduos de colheita e serapilheira, tendem a apresentar menores teores de carbono orgânico particulado, demonstrando o impacto destas ações de manejo de resíduos, independentemente se em área original de Campo Nativo ou Floresta Ombrófila Mista. Plantações florestais sobre Argissolos, sem histórico de queima de resíduos, em final de primeira rotação, acumularam o dobro de carbono orgânico particulado no solo, em comparação ao Campo Nativo (área original dos plantios) e, com valores semelhantes ao solo da Floresta Estacional.

Tais aspectos reforçam o papel das plantações de Pinus no sequestro de carbono atmosférico e transferência do mesmo ao solo, pois os fatores mais relacionados ao estoque de carbono, nestes solos, estão associados às adições da serapilheira e resíduos de colheita, bem como à renovação de raízes, este último fator predominante no Campo Nativo, mas também significativo em florestas.

Os estudos realizados trazem uma percepção clara de que as práticas silviculturais nas plantações, principalmente aquelas aplicadas aos resíduos de colheita, influenciam mais fortemente a qualidade do solo do que o uso deste com floresta nativa, campo nativo ou plantação de pinus.

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https://www.editoraappris.com.br/produto/4673-qualidade-do-solo-em-plantaes-de-pinus-no-sul-do-brasil

 
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