BibliotecaEventosNotícias da AgeFlorNotícias do Mercado
03/12/2021
Por AGEFLOR
Compartilhar esta notícia
Workshop debate pragas florestais no Rio Grande do Sul

Métodos de manejo integrado de pragas florestais no Rio Grande do Sul foram debatidos nesta quarta-feira (1º/12) no 1º Workshop Gaúcho sobre Pragas Florestais. A promoção foi da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), por meio dos departamentos de Defesa Vegetal (DDV) e de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), com apoio da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor). O evento foi on-line e pode ser acessado pelo Youtube da SEAPDR no link youtube.com/AgriculturaGOVRS. Participaram profissionais do setor florestal, produtores florestais, professores e pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e consultores florestais.

O engenheiro florestal da SEAPDR, Jackson Brilhante, abriu o encontro representando a secretária Silvana Covatti. Ele contou que o evento surgiu da necessidade de dar um panorama geral sobre o manejo de pragas florestais e discutir os desafios que o setor florestal vem enfrentando nos últimos anos para garantir um controle efetivo.

Para o diretor do DDPA, Caio Efrom, o tema da sanidade das florestas plantadas é um dos mais importantes para este setor expressivo da economia gaúcha. “E é uma oportunidade para o Departamento de Pesquisa da SEAPDR solidificar sua atuação junto à cadeia produtiva florestal, congregando num mesmo evento fiscalização, pesquisa e extensão. O fortalecimento desta atuação também se expressa através da recente definição do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal – Ceflor, em Santa Maria,  que passará a ser a referência estadual na área florestal”.

Palestras

O primeiro palestrante foi o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV), Ricardo Felicetti, que abordou “Atuação da Defesa Sanitária Vegetal nas pragas florestais no estado do Rio Grande do Sul”. Ele disse que, conforme a Embrapa, as perdas provocadas pelo ataque às árvores dependem da espécie da praga, do tipo de dano que causa e do valor comercial da madeira. “Deve-se estimar também os custos de remoção das plantas mortas, os custos de controle e os de replantio. Além disso, as pragas exóticas, muitas vezes, são quarentenárias para outros países que mantêm relações comerciais com o país em que ela foi introduzida. Desta forma, o país importador pode impor barreiras fitossanitárias, causando entraves no comércio, ou mesmo a sua perda, devido ao risco de introdução de pragas e aumento dos custos de produção em função dos tratamentos fitossanitários”.

De acordo com Felicetti, quanto à produção florestal, o Brasil tem a segunda maior área de florestas no mundo, só perdendo para a Rússia; está em nono lugar em florestas plantadas, correspondendo a 2,7% do total mundial, com 9 milhões de hectares (segundo relatório de 2020 da Indústria Brasileira de Árvores – Ibá); em relação à silvicultura e à extração florestal, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) foi de R$ 23,5 bilhões em 2020. No Rio Grande do Sul, em 1.035.935 hectares, o VPB foi de R$ 179,5 milhões em 2020 (dados do IBGE).

Felicetti afirmou também que a SEAPDR desenvolveu ações de combate às pragas florestais como legislações sobre o controle do cascudo serrador da acácia-negra (coleta e queima de galhos da árvore, cortados pelo cerambicídeo); sobre normas e medidas fitossanitárias para o controle da praga (foi instituído o uso do fogo nos restos culturais dos cultivos florestais da cultura); entre outras. A Secretaria ainda atuou na certificação fitossanitária para vespa-da-madeira, permitindo a comercialização de 103 mil hectares de florestas de pinus.

O pesquisador da CMPC Celulose Riograndense, Norton Borges Junior, palestrou sobre o “Manejo integrado de pragas na CMPC”. Ele falou que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é essencial para garantir a máxima produtividade dos plantios florestais. “O MIP fundamenta-se no uso de ferramentas de monitoramento para a identificação inicial de ocorrências de pragas, nas ações de controle para evitar danos aos plantios e, por fim, na avaliação dos resultados obtidos”.

Para Borges Junior, o controle de formiga-cortadeira é o maior desafio no Rio Grande do Sul, porque ela é a principal praga para os plantios de eucalipto. “Por isso, requer a realização do controle dos ninhos presentes na área antes do plantio das mudas. O controle empregado baseia-se na aplicação de isca formicida. Atualmente, dispomos de apenas um produto registrado no Estado, o que impede a escolha de produtos mais eficientes”.

O pesquisador salientou ainda que o controle biológico necessita de maiores investimentos de cooperativas e empresas especializadas na produção em larga escala de inimigos naturais (insetos que realizam o controle biológico das pragas, reduzindo o uso do controle químico). Disse também que as ferramentas de monitoramento estão evoluindo; e a falta de produtos registrados para algumas pragas ainda é uma realidade.

Por sua vez, o supervisor de Silvicultura e Pesquisa Florestal da Tanagro, engenheiro florestal Jeferson de Oliveira, apresentou “Pragas em viveiro e florestas de acácia-negra”. Ele disse que as principais pragas que têm sido registradas na fase de produção de mudas são tripes, ácaros, lagartas e Bradysia (espécie de mosca). E as principais pragas que ocorrem nas florestas são o cascudo serrador, as lagartas, as formigas, a cigarrinha-verde e a lebre. “Entre essas, a que mais causa prejuízos ao desenvolvimento dos plantios é o cascudo serrador, sendo que as medidas para reduzir a infestação são o recolhimento e a queima dos galhos cortados”. 

O gestor florestal da Madem e vice-presidente da Ageflor, Daniel Chies, e a pesquisadora da Embrapa Florestas, Susete Penteado, falaram sobre “Situação atual e manejo de pragas na cultura do pinus”. Foram apresentadas as principais pragas dos plantios de pinus no Brasil, sendo elas: vespa-da-madeira, pulgões-gigantes-do-pinus, gorgulho-do-pinus e formigas-cortadeiras.

Susete detalhou o Programa de Manejo Integrado de Pragas, desenvolvido para a vespa-da-madeira, com o objetivo de reduzir os danos causados por esta praga dos plantios de pinus no Brasil.

“Este Programa foi desenvolvido pela Embrapa Florestas, em parceria com o setor produtivo, através do Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais (Funcema), universidades e órgãos governamentais ligados ao setor florestal. Ele é constituído por ações de prevenção ao ataque da praga, pela utilização do manejo florestal, medidas quarentenárias e de monitoramento. Conta também com a aplicação de medidas de controle biológico, pela utilização de um nematoide e de vespas parasitoides, além de ações de transferência de tecnologia, pela realização de capacitações e elaboração de materiais de divulgação”, esclareceu a pesquisadora.

Chies, que também é coordenador da Câmara Setorial de Florestas Plantadas da SEAPDR, abordou o assunto do ponto de vista operacional das empresas e produtores no dia a dia e falou sobre os principais entraves existentes nas operações florestais, no que tange a pragas. De acordo com ele, os produtores têm dificuldade de acesso à orientação profissional quanto ao controle e manejo de pragas. “E o maior entrave de cunho burocrático é a restrição, no Rio Grande do Sul, ao uso do princípio ativo sulfluramida, que é o mais eficiente no combate a pragas como a formiga-cortadeira. Sabemos que o número de perdas nas florestas aumentou consideravelmente no plantio e no pós-plantio depois dessa proibição”.

Ele destacou ainda que o workshop foi de “grande importância para o setor florestal e de excelente nível técnico”.

O último palestrante foi o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto, que abordou a “Situação atual e manejo de pragas na cultura da erva-mate”. Ele explanou sobre o posicionamento da cultura da erva-mate no Rio Grande do Sul frente à ocorrência de pragas nos diferentes polos ervateiros do Estado e a identificação das principais pragas presentes nos ervais, danos provocados, monitoramento e estratégias de controle.

Segundo Barreto, há a necessidade de uma campanha conjunta de conscientização entre os quatro estados produtores (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) para monitoramento e controle das pragas da erva-mate, de forma que o nível e a intensidade de ataque não causem redução na produção, na longevidade da erveira e nem na qualidade da folha produzida.

“Como principais pragas destacam-se a Ampola da erva-mate, Gyropsylla spegazziniana e a Broca da Erva-mate, Hedypathes betulinus. A broca é um besouro da ordem coleóptera e tem um grande potencial destruidor dos ervais, nas fases larval e adulta do inseto. Ataca troncos e ramos da erveira, construindo galerias internas e roendo a casca, por vezes causando a morte de ramos e árvores.  É amplamente disseminada nos ervais, o que necessita de um monitoramento e controle contínuo. A catação manual e o uso de produto biológico Bovemax são as estratégias mais eficazes para o seu controle, além da adequada implantação, manejo e sistema de poda usado nas erveiras”, explicou Barreto.

Após as palestras houve uma mesa redonda com mediação do engenheiro florestal Jackson Brilhante.

Fonte: Seapdr

 
Voltar