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21/05/2018
Por AGEFLOR
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Silvicultura enfrenta restrições no Estado

Por Pedro Carrizo

Evento realizado na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, reuniu os principais segmentos da cadeia produtiva de base florestal para discutir sobre os possíveis novos rumos das Florestas Plantadas no Estado. Entre as demandas do setor, que integra a indústria moveleira, de celulose e derivados da produção de madeira, está o acesso a novas parcelas de terras gaúchas. De acordo com empresários, as restrições ambientais e a burocracia desestimulam o setor florestal no Rio Grande do Sul, que decresceu mais de 20% nos últimos 10 anos e vem perdendo investimentos para Santa Catarina e Paraná.

Segundo o presidente da Fiergs, Gilberto Petry, embora o Rio Grande do Sul disponha de um terreno fértil para a silvicultura (plantio e regeneração do solo para fins comerciais), corremos o risco de sofrer um apagão florestal. “No exterior persiste a ideia de que no Brasil a silvicultura é responsáveis pelo desmatamento desregrado. Porém, a cadeira gera aproximadamente 320 mil empregos diretos e representa 5,1% do nosso PIB”, diz Petry.

Outro impedimento para o incentivo de projetos que estimulam a silvicultura no Rio Grande do Sul são a Lei nº 5.709/71 e Decreto nº 74.695/74 que impedem as empresas brasileiras de capital estrangeiros de comprar propriedades rurais. De acordo com o diretor-presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, um projeto que buscava desenvolver um cluster de base florestal no Estado, elaborado durante o governo de Germano Rigotto (2003-2006) não foi possível devido às restrições. “A iniciativa, denominada Floresta Indústria, tinha o objetivo de construir três fábricas de Celulose no Estado, apenas uma delas foi feita, o que expõe a falta incentivos”, diz Nunes.

O empresário ainda afirma que as justificativas dadas pela União Geral dos Advogados naquele momento privilegiavam os movimentos agrários. Entre as justificativas estavam o possível avanço no cultivo em áreas de proteção ambiental e unidades de conservação, valorização da terra e incidência de especulação imobiliária, crescimento da venda ilegal de terras públicas. “Nós poderíamos atrair investimentos, mas estamos perdendo a oportunidade por esse tipo de legislação feita para atender movimentos agrários e com justificativas ridículas”, ressalta Nunes.

No panorama nacional, as potencialidades para o desenvolvimento de Florestas Plantadas são ainda maiores.De acordo com a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) Elizabeth de Carvalhaes, o Brasil é o país com maior know how sobre a base florestal do mundo, tendo 8,5 milhões de hectares de florestas plantadas e 5,4 milhões de hectares destinados para a preservação. “O que nós queremos é apresentar a importância da indústria de silvicultura no futuro, o papel positivo das florestas plantadas na equação climática”, diz Elizabeth relembrando que o Brasil tem a maior floresta plantada do Mundo.

Para Elizabeth, em um futuro nem tão distante, o crédito de carbono será a mais importante commodity. A presidente ressalta que o desafio de todos países e encontrar mecanismos econômicos para atingir todas as metas da Conferência do Clima e, ao mesmo tempo, obter desenvolvimento econômico. “Para atingirmos todas as metas do clima o custo será de R$ 750 bilhões. Se o carbono fosse monetizado, as florestas plantadas serão fundamentais para pagar essa conta.” Neste cenário, o Brasil, que absorve toneladas de carbono por dia, terá condições de ceder espaço para países estrangeiros sem abundância de florestas, os quais pagarão pelo aluguel de nossas zonas verdes.

Veículo: Jornal do Comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/05/economia/628019-silvicultura-enfrenta-restricoes-no-estado.html)

 
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