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24/11/2020
Por AGEFLOR
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Setor florestal busca diversificar uso do eucalipto

Por Jefferson Klein para o Jornal do Comércio

Para aumentar o valor agregado do plantio de eucalipto, que tem a sua produção fundamentalmente vinculada no Estado à geração de celulose, o segmento florestal aposta na diversificação da utilização dessa madeira. Entre os possíveis aproveitamentos estão a fabricação de casas, móveis, pallets, painéis de MDF e MDP e a geração de energia.
“É quase um conceito de açougue (onde se aproveitam os vários tipos de carnes)”, compara o sócio-gerente da consultoria PlanetWood, Cláudio Renck Obino. O engenheiro agrônomo participou nessa segunda-feira (23) do webinar Riquezas Cultivadas no Rio Grande do Sul – Florestas Plantadas, realizado pela Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor). Na ocasião, Obino lembrou ainda que os primeiros eucaliptos chegaram ao Estado no século XIX.
Ele destaca que a lenha de eucalipto, no passado, foi empregada em atividades como a secagem do fumo, mas a escala de plantações tomou outra proporção depois da instalação da unidade de celulose da Borregaard, no município de Guaíba, na década de 1970. Hoje, o complexo pertence à chilena CMPC. A assessora técnica da Ageflor Margô Guadalupe Antônio, mediadora do encontro, salienta que o Rio Grande do Sul possui atualmente um pouco mais de 1 milhão de hectares de florestas plantadas, sendo 668 mil hectares voltados para o plantio de eucaliptos.
Também participante do evento, o coordenador do programa de pós-graduação em Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Jorge Antonio Farias, considera que, a partir de 2008, o setor florestal gaúcho foi fortemente impactado com a criação do zoneamento ambiental da silvicultura. Ele sustenta que é preciso rever o modelo de licenciamento atual que exige uma série de procedimentos e laudos que dificultam a atração de investimentos. “A gente percebe hoje que o mecanismo de licenciamento excluiu do processo de produção pequenos e médios empreendedores florestais e o modelo criou uma concentração da posse da terra”, afirma.
Farias considera que o Fundo de Desenvolvimento Florestal (Fundeflor) pode ser aproveitado como um instrumento para mapear as possíveis oportunidades no setor. Porém, ele frisa que é preciso agilidade na liberação dos recursos por parte do governo do Estado. Sobre as mudanças no perfil do segmento, o professor recorda que em 1990 um estudo apontava que 35% da demanda da sociedade brasileira por produtos e subprodutos da madeira era suprida por florestas plantadas (o restante era proveniente de florestas nativas) e hoje esse percentual passou a ser 98%. Outros dois webinars serão realizados pela Ageflor nessa terça-feira (24) e quarta-feira (25) com foco, respectivamente, na produção de acácias e pinus.
 
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