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10/09/2018
Por AGEFLOR
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Plano Nacional está sob consulta pública

Empresas gaúchas vão sugerir abordagens mais específicas para erva-mate, pinus e acácia-negra

A proposta do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PlantarFlorestas) está com consulta pública aberta para recebimento de sugestões. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deu prazo até 5 de outubro para que os interessados encaminhem comentários e apontamentos técnicos. Após tal data, a Coordenação-Geral de Florestas e Assuntos da Pecuária, do Mapa, avaliará as sugestões recebidas e fará as adequações para a publicação do texto definitivo. Uma das metas do plano é aumentar a área de cultivo de florestas do país, dos atuais 10 milhões de hectares para 12 milhões de hectares, em dez anos.

O presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Diogo Carlos Leuck, diz que na próxima semana um grupo técnico da entidade analisará o plano, mas que já é certo que serão repassadas duas sugestões. Primeiro se quer que o plano insira mais informações a respeito da erva-mate por conta da relevância que esta atividade tem no Rio Grande do Sul. E, segundo, será solicitada a inclusão de mais dados sobre a extração de resina do pinus, que deriva no breu e terebintina (usados como fixadores de essências em produtos de limpeza, por exemplo), e do tanino da casca da acácia-negra, usado em curtimento de couro, tratamento de águas e efluentes e, mais recentemente, em nutrição animal. “O plano fala muito rapidamente sobre estes produtos, sem detalhamento, e queremos que ele abranja estas atividades”, ressalta Leuck.

O dirigente lembra que o conteúdo do plano, que define como “muito bom”, já tinha recebido contribuições de diferentes entidades, entre elas a Ageflor. A partir de agora, Leuck diz esperar que o governo use o PlantarFlorestas para ações que fomentem o crescimento do setor. Segundo o presidente da Ageflor, de 2016 para cá a silvicultura está estagnada no país. Para Leuck, o governo precisa agir para dar mais segurança jurídica aos produtores de florestas e apresentar uma política pública em âmbito federal para o setor, já que cada Estado tem hoje suas regras. O dirigente também pediu linhas de crédito acessíveis. Comentou que o programa ABC, que financia projetos envolvendo florestas, tem apresentado muita burocracia para liberar recursos, principalmente para os pequenos produtores.

O diretor presidente da Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul (Sargs) e consultor da Farsul, Ivo Lessa, diz que o documento é de “extrema importância” porque, além de trazer um diagnóstico da silvicultura, mostra que posições o Brasil quer tomar neste segmento. “Este plano é bastante amplo e deverá dar suporte para o crescimento das cadeias envolvidas”, afirma.

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Fonte: Correio do Povo, sábado, 8 de setembro de 2018.

Mais Informações:

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou na quarta-feira (5) no Diário Oficial da União a Portaria 3.086, que abre Consulta Pública do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PlantarFlorestas). O objetivo é receber contribuições da sociedade civil para implementar o programa, que tem ações previstas para os próximos dez anos. 

O PlantarFlorestas tem como meta aumentar em dois milhões de hectares a área de cultivos comerciais. Atualmente, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área cultivada chega a 10 milhões de hectares, principalmente com eucalipto, pinus e acácia. As florestas plantadas estão localizadas principalmente em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O coordenador-geral de Florestas e Assuntos de Pecuária, da Secretaria de Política Agrícola, João Salomão, explica que o documento apresenta um diagnóstico do setor, com os principais aspectos ambientais, sociais e econômicos. 
“Ao final de 2014, o tema voltou à responsabilidade do Mapa, atendendo principalmente demanda do setor produtivo, uma vez que o plantio é uma atividade de produção”, diz Salomão. “E o escopo do decreto, assinado ao final daquele ano, previa um plano nacional para a próxima década. Assim, foram ouvidas todas as demandas dos integrantes da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, de associações estaduais e entidades e a Embrapa finalizou o documento que agora vai para consulta pública”.

O segmento também tem grande participação na balança comercial. Em 2017 as exportações só ficaram atrás do complexo soja, de carnes e do setor sucroalcooleiro. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o país lidera o ranking de produtividade florestal, com média de 35,7 m³/ha/ano, o que representa quase duas vezes mais do que a produtividade dos países do hemisfério norte. A área com florestas plantadas ocupa apenas 1% da área do país, mas é responsável por 91% de toda a madeira produzida para fins industriais.

Ainda de acordo com dados da IBÁ, o valor da produção florestal atingiu R$ 18,5 bilhões em 2016 e gera 510 mil empregos diretos.

O Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas ficará em consulta pública durante 30 dias, e as sugestões podem ser enviadas ao e-mail plantarflorestas.spa@agricultura.gov.br.

 
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