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12/07/2019
Por AGEFLOR
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Entrevista do Presidente da Ageflor à Lignum Latin América

ENTREVISTA COM DIOGO LEUCK – DIRETOR DA SETA E PRESIDENTE DA AGEFLOR

Desde quando a SETA está no setor florestal e quando você começou a atuar neste segmento?

A SETA atua no setor florestal desde sua fundação, em 1941. Desde criança eu acompanhava meu avô nas andanças pelo setor. Ingressei no Grupo Seta em 2002.

Quais os produtos que a empresa produz e como é o processo de produção?

A SETA produz o tanino de acácia, que é um flavonoide, uma substância extraída da casca da acácia negra, espécie leguminosa originária da Austrália. No Brasil é cultivada apenas no Rio Grande do Sul, há mais de 100 anos. O processo de extração consiste em moagem da casca e extração com água quente. Em seguida o produto é concentrado através de tocadores de calor e reagido quimicamente para que se obtenha melhores características, de acordo com a utilização pretendida. Os usos do tanino são bem amplos, o mais antigo e conhecido é para curtimento de couro. Atualmente o tanino serve de base para produção de floculantes, utilizados no tratamento de água e efluentes. Também é usado para nutrição animal, indústria de cosméticos, de bebidas e farmacêutica. Já a madeira da acácia negra é processada pela MITA, empresa do Grupo SETA. Em forma de cavacos é exportada para o Japão e China, para produção de celulose.

As florestas de acácia estão próximas da área de produção de tanino e cavaco? Como está a oferta da matéria-prima?

As florestas de acácia estão num raio entre cinco e 400 quilômetros da empresa. Possuímos florestas próprias, certificadas pelo FSC. Mas o maior volume é adquirido de fomentados e do mercado em geral, que recebe assistência técnica gratuita da empresa, além de incentivos e fomento. Atualmente a oferta está menor do que em anos anteriores, por causa da queda no plantio por baixa de preços em anos anteriores. Também pela enorme burocracia que a silvicultura ainda sofre de órgãos ambientais no Rio Grande do Sul. Mas isto será revertido, pois os preços já subiram mais de 100% em dois anos e estamos trabalhando forte junto ao governo do Estado para desburocratizar, principalmente por ser uma cultura de pequenos e micro produtores. Hoje são mais de 30 mil famílias envolvidas com a acacicultura no Rio Grande do Sul.

Em relação à tecnologia necessária para o processo industrial, isto está disponível no Brasil ou é preciso importar? Como nosso país está em relação a disponibilidade de tecnologia?

Os equipamentos de grande porte dos processos industriais estão, sim, disponíveis no mercado nacional. Alguns equipamentos analíticos mais sensíveis é que ainda precisam ser importados. Também existem similares no Brasil, mas talvez o custo é que não compense. Em nosso segmento estamos com boas ofertas de equipamentos no Brasil. Precisamos ainda avançar em tecnologias, mas temos condições de operar com material nacional.

Em sua experiência internacional, como percebe o Brasil, no setor florestal e produtivo, se comparado com os principais países produtores e consumidores de madeira?

O Brasil tem uma condição geoclimática excelente para silvicultura e temos um know how muito bom no segmento. O que nos desfavorece são os entraves burocráticos criados pelos governos, como a classificação da atividade como de alto e médio impacto ambiental; portarias, resoluções e leis que dificultam com exigências descabidas sob a justificativa de que a atividade prejudica o meio ambiente, enquanto sabemos que ela ajuda. Temos uma excelente oportunidade de ampliar a silvicultura no Brasil, pois o mercado mundial está demandando produtos de base florestal e o Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas tem uma diretriz de aumento dessa atividade. Precisamos incorporar estas ações em nível de Estado e realmente incentivar, e não burocratizar.

Qual a importância de uma feira dedicada exclusivamente à cadeia produtiva da madeira?

É muito importante, pois além de verificar as novas tecnologias para o setor, podemos promover negócios e discutir o alinhamento necessário para o crescimento. A Lignum Latin America ajuda, não apenas empresas a crescerem, mas a sociedade como um todo, pois nosso setor ajuda na preservação ambiental, na arrecadação tributária e na distribuição de renda.

A Ageflor faz parte da ASBR, que terá um espaço na feira. O que o visitante da Lignum Latin America irá encontrar lá?

Levaremos informações sobre o segmento nos três Estados (RS, SC e PR), contribuindo com os empresários e governos para a tomada de decisões importantes para investimentos e políticas. Estaremos disponíveis para a troca de ideias, ajudando assim no desenvolvimento sustentável.

Fonte: Lignum

 
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