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16/07/2020
Por AGEFLOR
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Câmara do Mercosul debate a importância dos portos do Rio Grande do Sul para o agronegócio gaúcho

A terceira reunião da Câmara Temática do Mercosul e Comércio Exterior, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), instituída em 2019 pelo governo do Rio Grande do Sul, debateu, nesta terça-feira(14), por meio de videoconferência, “A Importância dos Portos do Rio Grande do Sul para o Agronegócio Gaúcho”. O tema sobre o cenário logístico do Estado e seus gargalos foi apresentado pelo superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS), Fernando Curi Estima. O secretário Covatti Filho abriu a reunião virtual, que foi coordenada pelo diretor de Política Agrícola e Desenvolvimento Rural da Seapdr, Ivan Bonetti. Participaram cerca de 70 representantes de setores públicos e privados da cadeia agropecuária do Estado.

O secretário Covatti Filho afirmou que o Porto de Rio Grande é a principal saída de produtos do Estado, por isso a necessidade de ter ações voltadas à melhoria de sua infraestrutura. “É um canal fundamental para o agronegócio e importante para termos evoluções no Mercosul”. 

Conectar a logística e ampliar o diálogo com o mercado, especialmente com o agronegócio, é visto pelo superintendente, Fernando Estima, como o ponto de partida para sanar as dificuldades impostas ao segmento no Estado. Segundo ele, diferente de outros estados, onde os portos são da União, aqui no Estado existe um convênio de delegação.

Uma das grandes polêmicas é o debate sobre a desestatização da infraestrutura gaúcha, algo que para Estima não se sustenta pelos números e pelo desempenho dos terminais portuários do RS – o porto de Porto Alegre, o porto de Pelotas e o porto de Rio Grande. Juntas, as três instalações exportaram 16,3 milhões de toneladas de janeiro a maio deste ano, um incremento de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso, segundo ele, prova a eficiência da logística mesmo em meio a uma crise sem precedentes.

 “Os portos federais são chamados docas, e o nosso é um porto delegado da União para o Estado, via convênio, de operação conjunta. O que permite que o Rio Grande do Sul utilize as estruturas portuárias como uma estratégia de desenvolvimento, tanto para o agronegócio quanto pra todo o restante (polo petroquímico, indústria metal-mecânica, veículos, entre outros)”, explicou.

De acordo com Estima, aos portos públicos gaúchos somam-se ainda cinco terminais arrendados e outros 17 terminais privados que formam a malha de exportação do Estado. Com um olho crítico para as privatizações, o superintendente da Portos RS salientou que o Estado precisa enxugar a máquina, mas lembrou que a estrutura portuária gaúcha já é bastante desestatizada.

“É preciso muita seriedade na pauta de concessões para ter bons resultados. Rodovias e ferrovias são exemplos que tiveram melhorias, mas que saíram muito caras para todos. O que precisamos é melhorar o que já temos com o apoio público, qualificar hidrovias, ferrovias e portos”, salientou. Segundo ele, os resultados obtidos até maio só confirmam que os complexos e instalações logísticas atuais colocam o RS em posição de destaque no Mercosul.

O superintendente dos Portos RS disse que estão trabalhando no sentido de unificar e aumentar o diálogo e a integração das diferentes políticas públicas. “Porque seguidamente você está fazendo uma política de irrigação, de melhoria de resultados na agricultura e você esbarra na incapacidade de armazenamento ou exportação”. Conforme Estima, na importação também, porque boa parte dos insumos que compõe a indústria de fertilizantes passa pelos portos. “Então, o porto é importante para receber o que fertiliza a terra gaúcha e para conseguir exportar e ganhar o mercado internacional para todos os nossos produtos. Nesse sentido é que a gente está buscando uma integração das políticas públicas entre as secretarias da Agricultura, de Desenvolvimento e de Logística e Transportes”, declarou.

Estima destacou ainda a necessidade de melhoria da eficiência e da competitividade na logística. “Porque se percebe que o estado do Rio Grande do Sul tem uma capacidade produtiva e de pesquisa excelentes, mas a logística tem prejudicado o lucro de produtores, devido aos custos elevados dos pedágios, ou por custos portuários acima dos ideais”.

Para o diretor de Política Agrícola e Desenvolvimento Rural da Seapdr, Ivan Bonetti, o agronegócio gaúcho teve a oportunidade de conhecer, verificar e questionar o trabalho que está sendo realizado nos portos, principalmente no Porto de Rio Grande. “A exportação de produtos agropecuários ultrapassou 12 bilhões de dólares em 2019, e importamos cerca de 2,4 bilhões. Logo, saber que nossos portos são eficientes e competitivos, foi um grande alívio para este setor, que é responsável por 40% do PIB no Estado”.

O diretor superintendente da CCGL, Guillermo Dawson Júnior, lembrou do investimento anunciado no ano passado em sua unidade portuária de Rio Grande, o Termasa, onde a capacidade de escoamento de produtos agrícolas da CCGL será quadruplicada. Atualmente, o chamado fluxo de expedição é de 1,5 mil toneladas por hora e saltará para 6 mil toneladas por hora. “O sistema cooperativo há anos queria colocar em prática essa ampliação, mas a lei portuária por muitas vezes trancou esse projeto”, frisou.

A live sobre o sistema logístico gaúcho foi acompanhada por diversos dirigentes de entidades do setor de agronegócio, entre eles o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), Alexandre Guerra, além de representantes de federações como Farsul, Famurs, Fetag, Fecoagro, Afubra, Aprosoja, Cesa, Ageflor e bancos como Banrisul, Banco do Brasil e BRDE.

Fonte: Seapdr e Sindilat/RS

 
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