Os plantios florestais iniciaram no Rio Grande do Sul há mais de 100 anos para o atendimento do consumo próprio nas propriedades rurais. No pampa gaúcho, o eucalipto era plantado desde o início do século XX, para formar quebraventos, servindo também para abrigo do gado e posteriormente para suprir de lenha os fogões e o tradicional fogo de chão, sendo também utilizado para moirões de cerca e construções rurais, além de abastecer as máquinas a vapor dos engenhos de arroz, as charqueadas e os barcos de transporte. Na década de 50, a exploração do pinheiro brasileiro (Araucária angustifolia) era um negócio promissor, sendo instaladas várias serrarias, constando a madeira de “pinho” na pauta de exportações do Estado.
Os primeiros plantios em escala comercial iniciaram com a acacicultura, em 1928, com a introdução da acácia negra, para extração de tanino utilizado no curtimento de couros. Posteriormente, em 1930, a Viação Férrea do RS, passou a cultivar o eucalipto para produção da madeira necessária aos dormentes das estradas de ferro e para abastecer as locomotivas. Depois, em 1953, a Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE passou a plantar eucaliptos para produção de postes. Em 1960, surgiram na Serra Gaúcha os primeiros plantios de Pinus, posteriormente expandidos para o litoral.
Com o aumento da população, cresceu a demanda por produtos de base florestal. Esse foi o início de um verdadeiro "apagão florestal" revertido a partir de 1966, com a promulgação da lei que criou os incentivos fiscais ao reflorestamento. Empreendedores gaúchos entenderam o objetivo deste incentivo e mantiveram este recurso no Estado, promovendo o desenvolvimento do setor. Registrou-se assim um incremento das áreas plantadas com essas espécies de árvores, iniciando um processo de grande expansão desse segmento econômico.
A partir daí, houve um avanço do reflorestamento, estimulado pela criação da Associação Sulriograndense de Reflorestadores, hoje AGEFLOR (Associação Gaúcha de Empresas Florestais), em 22 de setembro de 1970. Empresários pioneiros iniciaram a ocupação de novos territórios, até então com baixo aproveitamento em termos de produção e geração de renda, no litoral e parte da metade sul do RS. Foi muito utilizado o Pinus, conforme recomendações da FAO, que apontou este gênero para a contenção de dunas e ao mesmo tempo obtenção de rendimentos.
Embora tais incentivos tenham sido encerrados em 1987, os plantios de florestas de acácia, pínus e eucalipto continuaram a ser feitos pela iniciativa privada, estabelecendo-se no território gaúcho uma cadeia produtiva de base florestal, promovendo o desenvolvimento de diversos setores como a indústria moveleira, produção de madeira serrada para diversos usos, indústria de chapas (MDF e MDP) e aglomerados, marcenarias e carpintarias, produção de celulose e papel, indústria de tanino, resinas e derivados químicos de origem vegetal (casca da acácia negra), resinagem de pínus com produção de breu e terebintina, postes e madeira tratada para fins construtivos, para móveis de jardim e outros de uso externo, além da produção de energia como lenha e carvão vegetal.
Na forma de plantios realizados por empresas e por médios e pequenos produtores rurais, próprios ou em parceria, difunde-se cada vez mais a integração agrossilvipastoril. A base dessa verdadeira revolução verde que ocorre no Rio Grande do Sul está alicerçada na formação de florestas de qualidade, com boas práticas de manejo, destinada a usos múltiplos e com garantia de sustentabilidade. Os sistemas agrossilvipastoris em implantação diversificarão a matriz produtiva de milhares de propriedades rurais do Estado.
O respeito às áreas de preservação permanente, de reserva legal e aos remanescentes de matas nativas, aliado a outras práticas de gestão ambiental, é uma premissa para minimizar os impactos sobre o meio ambiente, a ser cumprida no desenvolvimento desse programa, buscando sua sustentabilidade. Esses novos tempos vividos colocarão o RS em uma situação de destaque no cenário nacional e internacional, como importante pólo florestal-industrial, desde que marcos legais claros e permanentes assegurem a tranquilidade dos empreendedores dessas atividades.
Através da pesquisa e da geração de tecnologia desenvolvidas pelo setor público e privado, são projetados novos usos da madeira para o futuro. Um futuro que terá a decisiva participação da AGEFLOR para a sua construção. Ao completar seu trigésimo oitavo ano, a Associação olha o horizonte tendo em vista este cenário promissor, acreditando que o Rio Grande possa ser “um bom lugar para se viver”, para uma parcela maior de sua população.