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O Setor

A história florestal do Rio Grande do Sul teve seus primeiros registros na obra do Padre Balduino Rambo (1956) com dados sobre a cobertura florestal que abrangia 34,27.% do território gaúcho. No processo de colonização, iniciado no século XIX, com a chegada de imigrantes, principalmente alemães e italianos, grande parte das matas nativas deram lugar à expansão urbana, aos cultivos agrícolas e à própria exploração madeireira, quando as árvores nativas eram exploradas para obtenção de madeira para as construções rurais, construção civil, fabricação de móveis, lenha e outros tantos usos.

Na metade norte do Estado, no início do século XX eram muito conhecidos e numerosos os “balseiros do rio Uruguai”, que transportavam troncos de espécies nativas, principalmente de pinheiro brasileiro ao longo do rio, formando grandes balsas destinadas a abastecer as várias serrarias instaladas, que desdobravam madeira para os centros urbanos. Na década de 50, a exploração do pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia) era um negócio promissor, constando a madeira de “pinho” na pauta de exportações do Estado.

Os plantios florestais iniciaram no Rio Grande do Sul há mais de 100 anos para o atendimento do consumo próprio nas propriedades rurais. No pampa gaúcho, o eucalipto era plantado desde o início do século XX, para formar quebra-ventos, servindo também para abrigo do gado e posteriormente para suprir de lenha os fogões e o tradicional fogo de chão, sendo também utilizado para moirões de cerca e construções rurais, além de abastecer as máquinas a vapor dos engenhos de arroz, as charqueadas e os barcos de transporte. Em 1930, a Viação Férrea do RS, passou a cultivar o eucalipto para produção da madeira necessária aos dormentes das estradas de ferro e para abastecer as locomotivas. Depois, em 1953, a Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE passou a plantar eucaliptos para produção de postes.

Os primeiros plantios de florestas em escala comercial iniciaram com a acacicultura, em 1928, com a introdução da acácia negra (Acacia mearnsii), para extração de tanino utilizado no curtimento de couros. Nesse segmento destaca-se a primeira indústria de extração de tanino da acácia negra da América fundada em 1941, em Estância Velha, a SETA – Sociedade Extrativa de Tanino da Acácia Ltda, que em 1946 instalou uma filial em Taquari. Posteriormente, em 1948, foi criada a TANAC, a partir de uma pequena fábrica de tanino instalada em Montenegro, às margens do rio Caí. Ambas atuam no plantio de florestas, na produção de woodchips para celulose e produção de químicos à base de tanino. Cabe ressaltar que a acacicultura no Rio Grande do Sul tem um significativo cunho social, pois grande parte das florestas são plantadas por agricultores independentes que tem na madeira e na casca da acácia negra a sua principal fonte de renda. Atualmente são mais de 35.000 famílias, basicamente de pequenos e médios produtores, que tem como principal renda recursos da produção e venda de produtos oriundos das florestas da acácia-negra ou atividades co-relacionadas, como transporte, produção de mudas entre outros.

Os plantios de Pinus surgiram na Serra Gaúcha na década de 60 e na década seguinte foram expandidos para o litoral. Os empresários que até então utilizavam o pinheiro brasileiro percebendo as limitações dessa espécie quanto à sustentabilidade de seu negócio buscaram uma alternativa de produção florestal, passando a cultivar o Pinus aproveitando a oportunidade proporcionada pelos estímulos dos incentivos fiscais. Os plantios de pinus (Pinus sp.) foram iniciados em 1960, na serra gaúcha, por iniciativa da família De Zorzi. Destacou-se na região a primeira grande empresa produtora de celulose e papel do RS, a Cambará S. A., localizada em Cambará do Sul. Esta empresa foi fundada em 1942, entrando em operação em 1947 e passou ao controle acionário da família De Zorzi em 1973. Era a única fabricante brasileira de celulose fluff, produzida a partir de fibra longa de Pinus e de resíduos de serrarias utilizada na industrialização de papéis para uso sanitário. Posteriormente, a Reflorestadores Unidos S.A., fundada em 1968, foi a pioneira na introdução de Pinus taeda na região dos Campos de Cima da Serra, atuando no fornecimento de produtos florestais ao mercado consumidor interno e exportações, com duas unidades fabris, uma em Cambará do Sul e outra em Vacaria onde é feita a industrialização da madeira.

Os plantios de Pinus no litoral tiveram seu início na década de 70. No contexto regional, diante da estagnação econômica do litoral, aliada à busca de alternativa produtiva para a contenção de dunas, que avançavam progressivamente sobre áreas cultiváveis da faixa litorânea, estudos realizados pela FAO apontaram o cultivo de Pinus como a melhor alternativa para a região. Nesta década, os vários plantios realizados no litoral foram acompanhados pela EMBRAPA Florestas (Colombo-Paraná), com atuação do Consultor R.W. Fishwick, em programa florestal do Ministério da Agricultura/IBDF (Projeto de Desenvolvimento e Pesquisa Florestal – PNUD/FAO/IBDF/BRA-45) mediante convênio do Governo Brasileiro com a FAO. Também a EMBRAPA realizou, dentro de seu Programa de Melhoramento Florestal, testes de progênie com Pinus elliottii e de procedência, com sementes de pinus do sul dos Estados Unidos.

Os primeiros plantios foram realizados com sementes de Pinus eliottii vindas da Geórgia – Estados Unidos. A FLOPAL- Florestadora Palmares Ltda foi responsável pela maioria dos plantios realizados de forma pioneira no litoral, na década de 70, particularmente nos municípios de Palmares do Sul, Rio Grande e São José do Norte. Posteriormente, outras empresas seguiram o exemplo, como a Habitasul que possui plantios em Bojuru, Mostardas, Tavares e São José do Norte, a TREVO Florestal com plantios em Rio Grande, a Selva com plantios em São José do Norte e Mostardas, além de outras com áreas menores e empreendedores particulares, formando uma base florestal com cerca de 30.000 ha.









Em 1970 surgiu a Florestamentos do Sul – FLOSUL realizando plantios exclusivamente de eucaliptos no litoral norte do RS, com incentivos fiscais, sendo a empresa pioneira na exploração do eucalipto para obtenção de madeira sólida em 1981, promovendo o uso desta em movelaria e na construção. A FLOSUL implantou projetos de reflorestamento também em Rio Grande, no Banhado do Taim e em Encruzilhada do Sul. Na mesma época, surgiram outras empresas, como a PINVEST e a SEIVA.

Sem dúvida, o grande estímulo aos plantios de florestas no Estado ocorreu com o advento da Lei de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento, Lei Federal 5.106, de 1966. Embora tais incentivos tenham sido encerrados em 1987, os plantios de florestas de acácia, pinus e eucalipto continuaram a ser feitos pela iniciativa privada, estabelecendo-se no território gaúcho a base florestal que desenvolveu a cadeia produtiva de base florestal existente.

Com plantios de eucalipto iniciados em 1968, é inaugurada em 1972 a primeira fábrica de celulose de fibra curta, a norueguesa Borregaard, às margens do lago Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, sendo incrementados os plantios em grandes hortos florestais próprios e em integração com pequenos e médios proprietários. Fechada em 1970, devido ao lançamento de efluentes químicos na água e no ar, a fábrica foi reaberta, adequada à legislação ambiental, ampliada e modernizada, passando a chamar-se Riocell, quando passou a ser reconhecida como referência em respeito ao meio ambiente. Depois, em 2000 foi absorvida pelo grupo Klabin, em 2003 passou a ser propriedade da Aracruz Celulose para então em 2009 ser assumida pelo grupo CMPC e passa a ser chamada Celulose Riograndense.

Em 2006, iniciativas conjuntas implementadas pelo poder público e setor privado atrairam para a Metade Sul do Estado investimentos de três empresas de celulose e papel: Aracruz (CMPC), VCP (Fibria) e Stora Enso; de três empresas de painéis: Masisa, Duratex e Fibraplac; e de três empresas produtoras de madeira: Granflor, FMS e HTRG. Os investimentos previstos dessas nove empresas, incluindo a base florestal, unidades industriais e infraestrutura, ultrapassavam US$ 6 bilhões. Entretanto, permaneceu no RS apenas a Celulose Riograndense, um dos maiores investimentos na área florestal da década. As demais empresas de celulose tiveram que rever seus planos estratégicos e migraram para outros Estados devido a incertezas e frustrações: inicialmente, devido a crise mundial que alterou o comportamento dos mercados; posteriormente, pela indefinição jurídico/institucional do futuro da silvicultura gaúcha, por conta das dificuldades, exigências despropositadas e morosidade no licenciamento ambiental da silvicultura e das restrições e limitações impostas à atividade pelo Zoneamento Ambiental da Silvicultura, bem como os impedimentos legais para aquisição de terras por empresas estrangeiras e na faixa de fronteira.

Hoje, as florestas plantadas do Rio Grande do Sul estão distribuídas em seis pólos florestais, em torno dos quais se instalaram indústrias que promovem o desenvolvimento de várias regiões, compondo a cadeia produtiva de base florestal que gera bens e serviços à sociedade, destacando-se por oferecer importantes contribuições nos aspectos econômico, social e ambiental. A Serra Gaúcha é composta principalmente por plantações de pinus, a região central e sudeste do estado principalmente por plantações de acácia negra e eucalipto, o litoral médio tem como espécie principal o pinus, a região norte é composta por plantações de pinus e eucalipto, a zona sul e campanha por eucalipto e acácia negra a Fronteira Oeste por eucalipto e pinus.

Na forma de plantios realizados por empresas e por médios e pequenos produtores rurais, próprios ou em parceria, difunde-se cada vez mais a integração agrossilvipastoril. A base dessa verdadeira revolução verde que ocorre no Rio Grande do Sul está alicerçada na formação de florestas de qualidade, com boas práticas de manejo, destinada a usos múltiplos e com garantia de sustentabilidade. Os sistemas agrossilvipastoris em implantação diversificarão a matriz produtiva de milhares de propriedades rurais do Estado.

O respeito às áreas de preservação permanente, de reserva legal e aos remanescentes de matas nativas, aliado a outras práticas de gestão ambiental, é uma premissa para minimizar os impactos sobre o meio ambiente, a ser cumprida no desenvolvimento desse programa, buscando sua sustentabilidade. Esses novos tempos vividos colocarão o RS em uma situação de destaque no cenário nacional e internacional, como importante pólo florestal-industrial, desde que marcos legais claros e permanentes assegurem a tranqüilidade dos empreendedores dessas atividades.

Através da pesquisa e da geração de tecnologia desenvolvidas pelo setor público e privado, são projetados novos usos da madeira para o futuro. Um futuro que terá a decisiva participação da AGEFLOR para a sua construção.